sábado, 5 de fevereiro de 2011

Web novela 2. Capítulo 8.


8º capítulo
‘’ O telefone tocou! ’’
J.
Meu sobrinho adorou a tatuagem de mentira dele e ficou puxando meu cabelo por alguns minutos. Voltei para casa com o fim da festa e caí na minha cama. Olhei para o meu telefone, puxei-o para perto. Fiquei encarando-o por muito tempo. Eu queria que tocasse, e queria que fosse ela. Queria vê-la e brigar com ela de novo. Ver o céu, gritar, qualquer coisa... Com ela.
Minha mente começou a viajar alguns instantes até eu ouvir o toque que tanto queria. Saltei para atender e acabei derrubando o celular no chão. Joguei a parte da frente do meu corpo para fora da cama e alcancei-o. Atendi assim, pendurada, de ponta cabeça.
- Oi! – Exaltei-me um pouco por estar com o fôlego alterado.
- Você ta legal? – Pude identificar a voz que encerrou minha noite.
- O que você quer, Nina? – Bufei e fui engatinhando aos poucos para trás.
- Já que você perguntou... Sabe aquela sua amiga... Amélia? Não. Como é mesmo o nome dela? – Abri a boca para responder, não deu tempo. – Angélica! – Gritou.
- Hum. – Murmurei, estressada.
- Me descola o telefone dela? – Engasguei.
- Ô garota! Desde quando você joga pra esse lado, hein?
- Que lado o que? Garotas para brincar, caras ricos para casar. Simples. – Retirei meu celular do ouvido com toda calma, deitei-me onde estava antes e segurei o botão ‘’desliga’’ por alguns segundos. Joguei o celular na poltrona, no meio de muitas roupas, e puxei o lençol. Bati com a mão na parede, procurando o interruptor, para não ter que levantar. A luz se apagou de primeira, então fechei os olhos.
- Boa noite, Sabrina. – Sussurrei imóvel.

Web novela 2. Capítulo 7.


7º capítulo
‘’ Às vezes faço o que quero
Às vezes faço o que tenho que fazer
’’ - Charlie Brown Jr.
A.
A noite vinha trazendo todas as minhas respostas. O que eu deveria fazer, se eu nem sabia o que estava fazendo aqui. Aí é que está. Eu não deveria estar aqui. Levantei-me e quase hesitei ao olhar para ela. Linda, estava olhando para mim.
- Aonde vai? – Se levantou também, mudando completamente de humor. Dei de ombros. – Não vai embora. – Fez um bico.
- Tenho que ir. – Entortei a boca e me virei. Novamente ela puxa meu braço, só que dessa vez paralisou ao observar alguma das minhas tatuagens. – Que é? – Tentei enxergar o que ela via.
- Er... Nada. – Sorriu e soltou meu braço. Arqueei a sobrancelha e me virei para ela.
- O que foi que você viu? – Cocei o pescoço e tentei me lembrar de cada tatuagem que tinha atrás do braço. Ela sorriu e desviou o olhar.
- Nada, bobagem.
- Vai me falar, ou vai esperar que eu chegue em casa e me pendure no espelho para saber o que foi que te deixou sem jeito assim? – Ela riu. Fiquei alguns instantes só vendo isso. Não respondeu. – É... Ta. Então eu vou indo. – Um silêncio novamente. – Boa noite. – Dessa vez não me virei. Continuei olhando para ela. Ela riu e se aproximou. Puxou a canetinha do meu bolso. Fiquei paralisada. Ela piscou, puxou-me e começou a rabiscar minha camiseta; abaixo do busto. Não tão abaixo. Gaguejei ao tentar perguntar algo, então fiquei quieta. Ela tampou a caneta e guardou novamente onde estava. Olhei para baixo e vi alguns números. Antes que dissesse algo, ela disse por mim.
- Meu telefone. Um dos únicos que eu realmente atendo. – Deu de ombros. Hesitei.
- E precisava escrever na minha roupa? – Fingi não ligar tanto, mas na verdade eu liguei. Afinal, a madame com muitas roupas aqui é ela, hum.
- Bom – Puxou meu braço. – Eu poderia escrever no seu braço. Mas não haveria espaço, e dois... – Sussurrou - Sai no banho. – Sorriu, e caminhou de volta para o salão. Deixando-me lá, parada, literalmente sem reação alguma.
___________
Ao chegar em casa, fui jogando as coisas pelo apartamento. Isso inclui minhas roupas. Caí no colchão semi-nua e puxei minha camiseta onde ela havia escrito seu número. Passei os dedos levemente pelas marcas da canetinha. Por que eu ligaria pra ela? Cruzei as pernas e olhei atentamente para o telefone no chão, ao meu lado. Por que eu não ligaria? Descruzei as pernas e puxei-o pelo fio mais para perto. Disquei lentamente, um a um. Parei no sétimo digito, quando olhei para a parede a minha frente. Imaginei Sacha chegando em casa estressada, dizendo que não há mais galerias de arte como antes. Largando sacolas de tintas e pincéis perto da porta, xingando-me por não termos uma mesa. Depois deitando-se ao meu lado, e dizendo que eu deveria tomar banho antes de deitar na nossa ‘’cama’’. O telefone foi um chamado para a realidade. A linha caiu pela ausência do oitavo número. Coloquei-o no gancho e cruzei novamente as pernas. Ela era minha, certo? Eu a conhecia com todos seus jeitos e manias. Eu saberia exatamente como fazê-la feliz. Não podia simplesmente esquecer isso, como todos vêm me pedindo há meses. Ela voltará pra mim um dia, eu sei disso. Chutei o lençol e fui para o banheiro tomar um banho.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Web novela 2. Capítulo 6.


6º capítulo
‘’ Só companhia ’’
J.
- Quer um salgadinho? – Ofereci a ela, que olhava para tudo com certa indiferença.
- Cada salgadinho que eu como, tenho a impressão de engolir uma fortuna. – Dei de ombros.
- Você é muito exagerada. – Observei tudo a minha volta – É só uma festa infantil.
- Hum. E onde está o aniversariante? – Olhou para minhas mãos – Você trouxe presente pro seu sobrinho? – Entortei a boca.
- Ah, não. Vim correndo e não deu tempo. E ele é pequeno, nem pensa ainda. – Sorri. Angélica olhou-me abismada, depois revirou os olhos e puxou uma canetinha do bolso.
- Ta. Fala-me sobre o seu sobrinho. Do que ele gosta? – Arregalei os olhos, mas antes que eu pudesse pensar, alguém respondeu por mim.
- Do Bob ponja! – Riu Sabrina, atrás de mim, imitando o modo que meu sobrinho fala – O Thiago gosta do Bob Esponja. – Sorriu.
- Então fica fácil! – Sorriu Angélica de volta.
- Fácil o que? – Perguntou, tirando as palavras da minha boca, o que me incomodou. Não respondeu, retirou um papel todo dobrado do mesmo bolso e começou a rabiscá-lo. Ficamos as três acopladas observando o desenho de um Bob Esponja branco e preto sendo feito detalhadamente.
- Aqui está. É como aquelas tatuagens de chiclete, sai no banho. As crianças que aparecem lá no estúdio com os pais sempre querem fazer alguma coisa, e a gente os distrai assim. – Entregou-me o papel e continuei olhando-a atônita.
- Estúdio? Você faz tatuagem? – Perguntou Sabrina, irritando-me novamente. E não, eu não sei por quê. Angélica abriu a boca para respondê-la, mas interrompi:
- Acho que não a apresentei ainda. Essa é minha irmã mais nova, Sabrina.
- Pode me chamar de Nina. – Sorriu puxando uma cadeira, e sentando-se ao lado dela.
- E essa é Angélica. – Pausei. – Ela veio me fazer companhia. – Arqueei a sobrancelha.
- Pode me chamar de Ange. – As duas sorriam feito bestas e essa diplomacia toda estava me destruindo aos poucos. – E sim, eu tenho um estúdio de tatuagem.
- Não acredito! Eu amo tatuagem! Tenho algumas discretas. – Levantou o pulso e mostrou sua pequena estrela. – Essa foi a primeira. – Puxou o vestido a altura das coxas, sem motivos, eu diria. Passou os dedos pelo tornozelo, onde estavam as iniciais de nossos pais. Explicou o motivo da tatuagem e sorriu aproximando-se da minha convidada. – E a terceira, eu posso te mostrar mais tarde, se você quiser. – Arregalei os olhos.
- Sabrina! – Minha voz apitava seu nome. Ela deu de ombros.
- Você disse que ela só veio te fazer companhia! – Bufei.
- Vem Ange, vem comigo. – Puxei-a pelo braço, que veio sem pestanejar. Caminhamos até a varanda, fechei a porta de vidro e sentei-me em uma das três cadeiras que havia lá fora. Sentou-se na outra, sem dizer nada. Alguns minutos se passaram com o silêncio, e a noite surgindo.
- Sou só mais uma companhia? – Ela olhava para o céu. Hesitei. Não sabia o que responder.
- Er...Você é minha companhia. – Alguns segundos sem resposta.
- O que é que eu estou fazendo aqui!? – Perguntou para o céu, o que tenho certeza, foi retórico.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Web novela 2. Capítulo 5.


5º capítulo
‘’ O teu olhar no meu olhar estremece e faz efeito.
E tudo acontece se for daquele jeito’’-
Strike.
A.
Devo ter ficado alguns minutos observando a irritação daquela garota. Ela tinha cabelos castanhos claros, que caíam sobre o ombro com pequenas ondas. Vestia um vestido azul elegante e sapatos combinando. Acho que jamais me vestiria assim. A garota tinha um bronzeado de praia e aparentava ser insuportavelmente rica e metida. Olhou-me com o mesmo olhar que minha mãe me olhava quando descobria que eu matava aula.
- Estranha? – Berrou.
- Bom... Não foi bem o que eu quis dizer. – Entortei a boca.
- Ah, não foi? O cara com quem acordei hoje não quis sair comigo, e eu nem lembro o nome dele. Estou atrasadíssima para uma festinha infantil com a minha família, para ouvi-los dizer tudo o que pensam sobre a minha promiscua vida fora de casa e sem um marido. E você acha que eu ligo pra uma droga de carro? – Estreitei os olhos, com certo receio. Ela era assustadora, mas algo nela me fazia ficar confiante diante disso.
- Você costuma desabafar com estranhos, ou só eu sou sortuda assim?
- Pff! – Caminhou até seu carro, pegou a bolsa e foi andando pela calçada. Não entendi ao menos o porquê, mas eu tinha que ir atrás dela. Afinal, não podemos deixar alguém fora de seu juízo normal andar sozinha na rua... Não é?
- Ei! – Corri para alcançá-la, que fez o favor de nem olhar pra trás. – Você é sempre tão grossa assim? – Tentei acompanhar seus longos, porém lentos e delicados passos com saltos altos.
- Você é sempre tão desarrumada assim? – Deu de ombros.
- Na verdade, sim. Eu sou. – A garota continuava em silêncio. – Posso saber seu nome?
- Hum. – Tentou fazer uma cara pensativa e deu de ombros novamente. – Julieta.
- Prazer, Angélica. – Soltei, naturalmente.
- Para de ser educada comigo, isso ta me irritando. – Fechou a cara.
- O que não te irrita? – A garota parou de andar de imediato e apoiou o rosto nas duas mãos.
- Desculpa, não é com você. – Respirou fundo – É que ultimamente eu ando me estressando tanto e... – Olhou-me – Acabo descontando em quem não tem culpa. – Sorri e aproximei-me dela.
- Tudo bem, eu te entendo. Já fiz muito isso. – Lembrei-me de quando brigava vários dias seguidos com todos. Sim, aquela garota realmente havia bagunçado minha vida.
- Então, vou pegar um táxi ali em frente. Tenho mesmo que ir. – Não sei porque exatamente, mas não me sentia assim há anos. Com certo... Medo, vontade, receio.
- Ah, claro. Eu vou... Fugir da galera que tava no carro e me enfiar em algum lugar onde eles não me achem. – Cocei a cabeça e ela olhou-me pensativa.
- Vem comigo? – Primeiro, eu engasguei.
- Que?
- Venha comigo pro aniversario do meu sobrinho? – Depois entortei a boca. Não que eu não quisesse ir, mas tudo isso parecia bem estranho. Eu acabava de a conhecer, gritar com ela, acalmá-la e vê-la não ligar para um carro caro. – Olha, eu não sou uma louca que sai chamando estranhos para sair comigo. Mas eu não quero mesmo enfrentar minha família sozinha, e você ta de bobeira mesmo, não tem nada pra fazer. Se quiser eu pago. – Sorriu, como se nem tivesse me humilhado. Balancei a cabeça negativamente.
- Cresce. E aprende que dinheiro não compra tudo. – Dei meia volta e em menos de três passos, senti pequenas mãos puxando-me pelo braço. Ela olhou-me como quem pede desculpas. Não pediu, mas não precisava. Soltou meu braço e entrelaçou as próprias mãos, implorando-me.
- Por favor? – Apesar daquela cena quase me emocionar, eu ainda tenho princípios. Não havia a menor, das menores possibilidades de eu passar perto da tal festinha. Rum!