43º capítulo
‘‘You hit me once, I hit you back. You gave a kick, I gave a slap. You smashed a plate over my head. Then I set fire to our bed.’’ – Florence and The Machine .
A.
- Desgraçado! Filho da puta! - Corri escadas abaixo tentando alcançar meu melhor amigo. Ou quase isso.
- Você tem espaço! - Explicava-se quase caindo no degrau.
- Tenho, e sabe o que falta nesse espaço? - Berrei, parando de correr. Ele parou também, mas com certa distância. - Geladeira, congelador, sofá, copos... E outras coisas necessárias para fazer uma festa! - Gritei.
- Calma, a galera vai trazer tudo.
- Vão trazer uma geladeira? - Perguntei, ironicamente.
- Não, o frigobar do estúdio.
- O que? - Respirei fundo. - Não era mais fácil fazer em algum lugar que já tivesse tudo isso?
- Sim, o Gutinho ia fazer lá em casa mas aí eu falei pra ele...
- Peraí, você quem quis fazer aqui? - Gritei, de novo.
- Mas é que... - Desci correndo novamente e ele tropeçou quase caindo. Alcancei-o e segurei sua camisa.
- Mas o que?
- Assim a Julieta fica na festa, mais tempo com você... - Fiquei em silêncio por algum tempo. - Era pra ver se acontecia alguma coisa, mas quando confirmei a festa não sabia dos avanços da situação no corredor, sabe... - Dei um tapa na cabeça dele, que revidou e acabamos sentados rindo na escada do segundo andar.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Web novela 2. Capítulo 42.
42º capítulo
‘’Se Maomé não vai até a festa... ‘’
Estava plantada naquele corredor esperando ansiosamente por uma resposta.
- De verdade? - Perguntou. Respondi que sim, e meus batimentos aceleraram-se. - Não.
- Não está arrependida? - Arqueei a sobrancelha.
- Olha, desculpa se você não queria isso, eu não vou fazer mais nada, mas... - Interrompi-a com um beijo e ela passou os braços pela minha cintura. Encostou-me novamente na parede, o que eu gostei... Muito.
Ouvimos o barulho da porta se abrindo e nos afastamos rapidamente, Angélica pegou o saco do chão e a porta se abriu por completo. Joe saiu com cara de "eu-sei-o-que-vocês-fizeram-no-verão-passado" e revirou os olhos.
- Meninas, estamos de saída. - Percebeu nossa cara de espanto e continuou. - Gutinho ligou e disse que tem notícias boas e que vai ter festa pra comemorar.
- Gutinho? - Perguntei.
- Augusto, irmão mais velho do Joe. Trabalha no estúdio alguns dias com a gente. - Explicou-me Ange, mas logo voltou ao assunto. - Mas hoje é quarta-feira! - Disse inconformada, mas Joe deu de ombros. Ela olhou para seu relógio de pulso. - E não é um pouco cedo pra uma festa?
- Então... Mas a gente vai sair agora comprar as coisas para a festa! - Empolgou-se.
- Nossa... Mas a gente passa na ida, relaxa...
- Mas tem que dar tempo de arrumar tudo! - Discutiam os dois.
- Arrumar o que? - Perguntou ela cinco segundos antes de fazer uma cara meio brava, e entender exatamente o que estava havendo. - A não ser que a festa fosse aqui em casa... Certo? - Ele concordou com a cabeça. - EU VOU MATAR VOCÊ! - Gritou. Ele saiu correndo e ela foi atrás até que sumiram pelo corredor.
- Será que eu vou poder ir na festa? - Sussurrou Cody, espiando pelo cantinho da porta.
- Na verdade, eu acho que a festa vai vir até você. - Rimos e entramos no apartamento para estourar o resto do plástico bolha.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Web Novela 2. Capítulo 41.
41º capítulo
"I want to drive you into the corner and kiss you without a sound. [...] Now you're in and can't get out. You make me so hot" - Avril Lavigne.
A.
...
- Quer parar? - Julieta vinha atrás de mim e fechou a porta, ela parecia irritada. - Por que você ta assim? - Gritou.
- Olha... - Estava sentindo uma onda quente ao meu redor, e meu sangue pulsando em todos os lugares do meu corpo. - Chega. - Olhei para cima e soltei a sacola de lixo. Podia quase ouvir minha consciência, e ela dizia: "Não faça isso, não faça." Mas eu fiz, e como fiz. Quando tornei a olhar para baixo, não tive nem segundos para pensar, ou olhar para ela, simplesmente empurrei-a na parede e colei meus lábios nos seus. Ela me beijou de volta e segurou minha nuca, o que fez minha pulsação aumentar. Segurei-a pela cintura, ela era tão magra que ficava quase suspensa entre meu corpo e a parede. Sentir nossas línguas se tocando me dava vontade de algo que eu não sabia explicar nem para mim mesma. Aquilo parecia tão errado, que me dava mais vontade ainda de beijá-la. Passei os lábios por seu pescoço, lhe dando selinhos e ela riu baixo, o que foi muito fofo. Beijei-a mais uma vez e afastei pouquíssimo nossos narizes, para olhar para seu rosto.
Ficamos paradas por quase meio minuto, sem sorrir, sem falar, sem demonstrar absolutamente nenhuma expressão. Daria o mundo para saber o que ela estava pensando ou sentindo. E para falar a verdade, eu estava com medo de reagir de algum modo, com medo de que tivesse acabado de fazer uma besteira. Quando passados os meus trinta segundos de minha reflexão, ela ficou pensativa e olhou para baixo. Parei de pensar em tudo, e só fiquei com medo... Medo de um "não." Qualquer um dos possíveis: "não deveríamos ter feito isso", "não é certo", "eu não queria", "não vai acontecer de novo"... E por aí vai.
- Desculpa, desculpa, desculpa! - Afastei e desencostei-me dela. Ela pareceu surpresa.
- Eu...
- Não queria ter feito isso! - Interrompi-a. - Me desculpa?
- Não? - Arregalou os olhos.
- Não complica. - Entortei a boca. Ela riu e ficou próxima o suficiente para sentir sua respiração sob meus lábios.
- Está arrependida? - Perguntou, séria.
Eu estava arrependida? Perguntei-me mentalmente várias vezes e comecei a procurar por pelo menos uma razão para dizer que sim, que foi um erro, e que não deveríamos ter feito isso. Mas eu estaria mentindo, e muito. Era uma resposta de "sim" ou "não" que mudaria muita coisa por aqui. Talvez eu perdesse a amizade dela, mas não queria mentir...
- De verdade? - Entortei as sobrancelhas e senti minha testa se enrugando.
- De verdade. - Continuou séria.
- Não.
Web Novela 2. Capítulo 40.
40º capítulo
‘’O que diabos eu fiz?‘’
J.
Chegando em frente ao prédio de Ange, Joe estacionou e abriu o porta-malas. Todos saímos e ficamos encarando aquela caixa... Imensa.
- Tá! E agora? - Perguntei.
- Acho que nós três conseguimos levar. - Joe disse, olhando para nós duas.
- Verdade, nós três. Força Cody, a gente consegue. - Riu, e zombou de mim enquanto tentava levantar uma das pontas da caixa.
- Eu consigo levar sozinho! - Levou a sério, o garoto.
- Sério, mala. Vamos subindo e abrindo espaço já, você espera lá em cima com a porta aberta, e eu vou descer pra ajudar os dois a levar. Tá? - Os dois subiram enquanto ouvíamos reclamações do pequeno, querendo ajudar.
- Bom, eu vou esperar dentro do carro, fora do sol tá? - Avisei. Joe deu de ombros e encostou no carro.
Poucos segundos depois da porta do prédio se fechar, dois caras super malhados e tatuados passaram e falaram com Joe, parece que se conheciam do estúdio. Ele disse que estava com problemas para levar a caixa para cima e que seria ótimo ter ajuda. Praticamente pediu para que levassem, mas ambos fingiram não entender e disseram estar com pressa. Fiquei estressada e saí do carro.
- Não aguento mais esperar, Joe! - Reclamei, o que fez com que todos olhassem para mim, sem entender nada. Aproximei-me, puxei a camiseta para baixo causando um pequeno decote intensional, e passei os dedos entre meus fios de cabelo, enrolando-os na ponta. - Oi. - Sorri para os brutamontes tatuados.
- Olá, minha linda. - Respondeu o maior. - Tudo bem? - Entrou na frente de Joe, como se ele não existisse e sorriu para mim.
- Na verdade, não. - Forcei um bico. - Está tão calor... Queria um suco agora...
- Posso te pagar um suco? - Tocou meu braço, como se aquilo fosse oportuno ou apropriado de alguma maneira.
- Eu adoraria. - Sorri forçadamente. - Mas não posso... Tenho que levar esse trambolho gigante lá pra cima. - Resmunguei com o tom de voz fino até demais.
- Mas você é tão pequena! - Olhou-me, espantado.
- Pois é, mas o que posso fazer, não tenho ninguém para me ajudar. - Dei de ombros, fiz outro bico e fui em direção a caixa.
- Magina, nós levamos pra você, gata! - Interrompeu-me e controlou o amigo com o olhar para ajudá-lo com a caixa.
Cheguei no apartamento e Angélica estava prestes a sair, disse para que entrasse e logo os dois musculosos chegaram com a TV. Colocaram-na onde pedimos, e todos descemos, menos o pirralho, que estava procurando o cachorro ainda. Joe segurou-se para não rir o tempo todo, não sei se da minha atuação nível Broadway, ou se, do mais provável, ato inútil de me chamar para sair do tal tatuado que eu não consegui decorar o nome nos passados vinte minutos. Já Ange parecia aborrecida, cutuquei-a e perguntei o que ela tinha e ela disse que não era nada.
Os dois despediram-se de Joe, e o mais alto voltou a se aproximar de mim.
- E aquele suco, que tal agora? - Tentou pegar a minha mão, mas desviei.
- Que tal você me ligar? - Não gostou da idéia, mas aceitou o meu telefone. Quer dizer, o da minha irmã mais nova e mais insuportável, mas ele não sabia disso. Assim como não sabia que meu nome não era Nina. Ri por dentro enquanto iam embora.
Retornamos à sala para que Joe tentasse instalar a televisão, e Cody ajudasse-o de alguma forma, o que era só uma desculpa para estourar o plástico bolha. O apartamento estava uma bagunça de cabos, papéis, plásticos e papelões. Ange corria de um lado pro outro, com água e pó de café.
- Quer ajuda? - Ofereci, outra vez a toa, pois eu nunca havia feito café na vida.
- Não. - Virou-se, e pegou uma colher.
- Posso te ajudar em alguma outra coisa? - Dei a volta e observei-a contando colheres de pó. - Qualquer coisa?
- Eu não preciso da sua ajuda. - Disse, finalmente olhando para mim. - Relaxa, tá? - Continuou adicionando colheres.
- Você ta contando isso? - Apontei para o coador atolado de pó, vazando pela pia.
- Estou! Eu consigo fazer café sozinha! - Resmungou e voltou a olhar o que estava fazendo. - Não preciso da ajuda do seu namorado Johnny Bravo. - Sussurrou entre os resmungos, fazendo careta.
- O que você acabou de dizer? - Não pude não rir.
- Ah, vai lá rir com ele. - Deu as costas para mim e ensacolou o lixo.
- O que? Onde você vai? - Segui-a até a porta.
- Levar o lixo. - Continuou andando até o corredor. - A não ser que ele possa fazer isso também.
- Quer parar? - Saí no corredor e fechei a porta. - Por que você ta assim? - Praticamente gritei.
- Olha...Chega. - Ela olhou para cima, soltou a sacola no chão e começou a coçar o pescoço. - Meu coração acelerou, ela parecia estar muito brava. O que diabos eu fiz?
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