É muito simples acordar, estudar, comer, tomar um banho e assistir televisão sem precisar responder mensagens de alguém entre essas ações. Ouvir uma música sem lembrar de ninguém, ver aquele filme e não chorar. Seria quase uma vida utópica não ter aquele elemento do seu dia que te faz pensar em alguém. Seria.
Você pode achar que aprendeu, não vai mais sofrer, nem sequer gostar de alguém. Acha que finalmente entendeu a tal arte do desapego.Infelizmente, o que segue pode ser o seu segundo papai noel que deixa de existir.
Assim como não existe utopia, não existe arte do desapego.
Isso é um consolo temporário para quem deseja ser ignorante aos próprios sentimentos. É o pote de sorvete, é o porre do sábado, é o novo corte de cabelo. É até algum novo grupo de amigos pra sair.
É aquilo que diz: "Estou te superando, tá vendo?".
E sinceramente, isso é uma droga, porque você está fingindo não se importar, mas ainda está em processo de não se importar. É um status de "praticando a arte do desapego".
E aí chega o momento em que você esquece aquela pessoa, e suas ações voltam a depender das suas próprias vontades, não das suas prevenções. Sua vida voltou ao "normal", yay!
Então você está pronto para outra, mas lógico, sem se apegar, agora que você é formado na famosa arte.
Mas você vai se apegar de novo. E perceber que, assim como o bolo, o desapego era uma mentira.