10º capítulo
‘’ Maldita tecnologia ’’
J.
Acordar é deprimente, minha primeira maior certeza. A segunda é que minhas irmãs foram enviadas do inferno para atormentar a minha vida. Aposto que elas não são humanas, argh!
Algum dos meus outros celulares começou a tocar, e tocou até me acordar. Continuei deitada e deixei-o tocando. Tocou até me irritar. Fui irritada procura-lo e vi que era Nina, o que me fez desliga-lo e voltar para a cama. Dois minutos foram o bastante para que uma musiquinha ensurdecedora diferente começasse a me torturar. Pela segunda vez, era a Nina fazendo-me levantar da cama. Essa garota ia morrer mais tarde. Desliguei-o e joguei em algum canto, afundei-me nos travesseiros novamente. - Bip bip bip - Veio o som mais uma vez, gritei um pouco e saí bufando para pegar o celular, era a Vivi.
- É BOM alguém ter morrido.
- Bom dia pra você também! – Esfreguei os olhos.
- Que horas são?– Bocejei.
- Quase meio dia, dorminhoca! – Uhum, sei. – Você tem vinte minutos para aparecer aqui embaixo.
- Embaixo? – Pulei – Onde você... Ah, ta! Já desço. – Lembrei-me que tinha uma entrevista de emprego hoje com alguém importante amigo da minha mãe. Desliguei e fui por uma roupa. Sempre me arrastam para lugares onde não quero ir, incrível! Semana passada um velho lá de uma empresa queria que eu ficasse de chefe de administração. Achei chato e perguntei o que eu faria e ele piscou pra mim. Demorei dois minutos para sair do prédio, se isso.
Na minha família, ninguém precisa ‘’procurar’’ emprego. Precisa ‘’escolher’’ o que quer fazer, e isso me aborrece um pouco. Contei a Viviane o que pensava e agora ela me fará ir a entrevistas mesmo, e não simplesmente ser aceita no trabalho.
Minha mãe não gostava muito disso, dizia para que me casasse e parasse de ‘’inventar passatempos’’. Mas Vivi fica dizendo que ainda vou me tornar uma profissional e orgulhar a família. Enquanto eu, bebo tequila e as ouço discutindo sobre a minha vida até apagar... Ou algo assim.
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Demorei mais de vinte minutos para me trocar, tenho certeza. Peguei minha bolsa e fui caçando meus celulares pelo quarto. Ligando-os e guardando-os comigo. Procurei como uma louca o meu celular principal, o que eu havia passado o número para ela. Achei-o e me dei conta que eu havia desligado, argh! Sabrina, você me paga. Segurei o botão até que me surgissem muitas chamadas perdidas como alerta. Decidi ligar e ver se algum dos números era de Angélica. Sorri e comecei a fazer ligações. Estava no terceiro toque do décimo número diferente quando Vivi abriu a porta, irada, tomou-o da minha mão e encerrou a chamada.
- Já são 6:45!
- Você tem a minha chave? – Peguei o celular da mão dela e guardei na minha bolsa.
- Sua entrevista é às sete horas! – Hum... Sete horas?
- Espera aí! Você me acordou às seis horas? – Gritei, arregalando os olhos.
- Pff! Para de enrolar que você precisa ensaiar o que vai dizer no caminho. – Puxou-me para fora e trancou a porta enquanto eu chamava o elevador. Demorou alguns segundos e Viviane bufava.
- Alguém deve estar segurando a porta. – Comentei calmamente.
- Vamos pela escada. – Arregalei os olhos e ela continuava a me puxar.
- Mas... Eu to de salto.
- Que bom. Corre que agora deve estar um trânsito. – Confesso que comecei a ficar zonza descendo aquelas escadas... Que eu nunca tinha usado antes. Chegamos à portaria e parecia que eu havia corrido dez quilômetros. Percebi que precisava me exercitar mais.
Entramos no carro da Vivi, e no caminho ela intercalava gritar com os outros motoristas e me dar dicas do que falar na entrevista. Era até engraçado.