31º capítulo
‘‘This time I got it all figured out,
All I know is that I don't know nothing.. ’’ – Green Day.
A.
Depois de toda a explicação, Joe olhava para mim de muitos modos diferentes, e eu não conseguia entender o que estava pensando.
- Fala alguma coisa. - Tentei.
- Não sei o que dizer. - Entortou a boca.
- Como não? Que tipo de amigo é você Jo? - Olhei-o com um desespero fingido.
- Sinceramente? Você não queria um encontro, e arranjou uma namorada e um filho pra morar com você?
- Eles não estão morando aqui. - Fiz cara de brava.
- Ela tá tomando banho no seu banheiro e ele dormindo no seu colchão. - Ergueu as sobrancelhas algumas vezes rapidamente.
- Tá, Joe. Sei que eu to mudando um pouco o jeito de pensar, e tentando superar você-sabe-quem...
- Só você para namorar o Voldemort. - Sorriu e eu o ignorei. - Peraí...Você disse tentando superar? - Arregalou os olhos.
- É, mas não se anime... Ainda não sei...
- Julieta. Ela sabe?
- Mais ou menos... Só que eu morava com alguém e...
- E ela está aí... - Pensou. - Ai meu Deus! Você tirou as fotos! - Fingi que não tinha entendido mas ele abriu a porta do apartamento e saiu correndo para ver se eu havia mesmo tirado as fotos. Corri atrás dele e tentei segurá-lo mas acabamos os dois caindo em frente a parede das fotos... Sem fotos.
Mesmo no chão, ele começou a rir e apontar para mim, mas antes que conseguisse falar algo tapei sua boca. Pude ouvir bem dificilmente, mas já sabia exatamente o que ele queria falar: "Tá apaixonada." Revirei os olhos.
- Não... E para com isso!
- "Ra brom". - Tirei minha mão e ele repetiu "ta bom" entendível dessa vez.
- Então... - Disse Julieta, quase aos sussurros. Percebemos que os dois nos olhavam abismados. - Acho que eu vou embora. - Sorriu.
- Não! - Gritei e me levantei num pulo. - Quer dizer, não precisa! - Joe se levantou e foi caminhando até a porta. - Joe, faz um favor pra mim?
- Não, não, não. Não. - Foi saindo e fui atrás dele. Quando estávamos no corredor puxei-o.
- Por favor?
- Não sei o que é, mas sei que não é legal.
- Fica com o Cody pra mim um pouco?
- O que? - Berrou. - Não falo com crianças... É um povo que não gosta de mim. E também não gosto deles.
- Preciso conversar com a Ju.
- Agora ela é só "Ju"?
- É sério. Por favor? Leva ele pro estúdio com você, compra um brinquedinho no caminho.
- Angélica! Você tá ficando louca? Eu preciso trabalhar.
- Eu sei, mas eu vou pedir pra ele ficar lá dentro. Te dou dinheiro pra quando ele ficar com fome e você dá um brinquedo pra ele. Não vai atrapalhar.
- Ele é uma criança, um humano. Não um cachorrinho. - Falou sério. Senti um peso na consciência de repente. Não sabia o motivo, ou o que de tão absurdo eu havia falado para que ele me olhasse daquele jeito. Mas aquele olhar era raro. Senti meu rosto queimar.
- Eu sei, desculpa. Mas... Eu preciso de ajuda. - Senti que ia chorar, pois não sabia mais o que fazer.
- Tá, para, para. Não faz essa carinha não, tá? Eu levo ele, e vejo o que eu faço.
- Obrigada! - Pulei no pescoço dele e apertei-o.
Virei-me para voltar para o apartamento e Julieta estava parada, sem reação, olhando para mim. Segurava sua bolsa e a sacola com roupas.
- Eu tava indo... - Explicou-se.
- Não... Precisamos conversar, né?
- Precisamos? - Estranhou. Senti meu rosto corar.
- Espera só um pouco. - Entrei e falei para Cody que ele ia sair com um cara que era um amigão meu, que ele ia comprar um brinquedo pra ele e levar ele pra comer. Disse para ficar quietinho quando estivesse na loja. Ele se animou com as palavras ''brinquedo'' e ''comer'' e saiu correndo.
- Cody. - Chamou Julieta. Estranhei... Muito. Ela abriu a bolsa e revirou algumas poucas coisas, tirou de lá um gameboy e entregou a ele. Ele saiu pulando e Joe foi atrás com um olhar mortífero para mim.