domingo, 23 de dezembro de 2012

Avó.



‎"Não sei como consegue apertar todos esses botõezinhos ao mesmo tempo!"

Disse minha vó do vídeo-game, enquanto faz comida em 8 bocas do fogão, forno, liquidificador, batedeira, espremedor, vê novela, ''dá um pontinho na camisa velha'', lava a louça e conta que a filha da fulana teve filho mês passado... Tudo ao mesmo tempo!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012



O melhor colo, o melhor aconchego. A gente abraça forte e sente aquele cheiro de casa. Aquele cheiro de macarronada de domingo, de leite morno no fogão, de perfume de bebê, de amaciante.
Aquele abraço onde as mãos se encontram naquela blusa velha da sua vó, que ela te cobre quando você dorme no sofá.
O barulho do liquidificador, maritacas na árvore mais próxima, o sol entrando forte pelas janelas. Melhor despertador.
Aquela gritaria sem motivo, aquele vaso que sempre cai e ainda não quebrou. A porta barulhenta, a gaveta quebrada, o esconderijo da infância.
As fotos de crianças pela casa, o pudim na geladeira, a louça lavada, suja e lavada de novo.
Família é tão confortável.

Legião Urbana - Quase Sem Querer




Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você

domingo, 28 de outubro de 2012

A arte do desapego



É muito simples acordar, estudar, comer, tomar um banho e assistir televisão sem precisar responder mensagens de alguém entre essas ações. Ouvir uma música sem lembrar de ninguém, ver aquele filme e não chorar. Seria quase uma vida utópica não ter aquele elemento do seu dia que te faz pensar em alguém. Seria.
Você pode achar que aprendeu, não vai mais sofrer, nem sequer gostar de alguém. Acha que finalmente entendeu a tal arte do desapego.
Infelizmente, o que segue pode ser o seu segundo papai noel que deixa de existir.
Assim como não existe utopia, não existe arte do desapego.
Isso é um consolo temporário para quem deseja ser ignorante aos próprios sentimentos. É o pote de sorvete, é o porre do sábado, é o novo corte de cabelo. É até algum novo grupo de amigos pra sair.
É aquilo que diz: "Estou te superando, tá vendo?".
E sinceramente, isso é uma droga, porque você está fingindo não se importar, mas ainda está em processo de não se importar. É um status de "praticando a arte do desapego".
E aí chega o momento em que você esquece aquela pessoa, e suas ações voltam a depender das suas próprias vontades, não das suas prevenções. Sua vida voltou ao "normal", yay!
Então você está pronto para outra, mas lógico, sem se apegar, agora que você é formado na famosa arte.
Mas você vai se apegar de novo. E perceber que, assim como o bolo, o desapego era uma mentira.

terça-feira, 16 de outubro de 2012




Gente, eu sei que pareço bipolar, mas é só arquivo guardado pra publicar quando der tempo. HAHAHA

Você já ficou tão magoado, a ponto de perceber que todas as outras vezes tinha a opção de parar de chorar?

domingo, 30 de setembro de 2012

Me gasto e desgasto só pra tentar te entender. Eu te amo, mas cansei de amar você.


domingo, 16 de setembro de 2012

Meu filme de memórias


From Weheartit


A gente passa por coisas na vida, que nos ensinam a confiar em cada vez menos pessoas. Muitas vezes você acha que elas vão continuar na sua vida pra sempre, e não duram nem um ano.
Passa um filme diante dos meus olhos, é como imagino meu futuro um dia. Os personagens mudam tanto que nem parece o mesmo filme. Nem me lembro da formação original na minha mente.
Tenho certeza de que é melhor assim, não aceito papel principal sem reavaliação.
E sinceramente, não estou procurando por coadjuvantes ou dublês.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Web novela 2. Capítulo 43.

43º capítulo
‘‘You hit me once, I hit you back. You gave a kick, I gave a slap. You smashed a plate over my head. Then I set fire to our bed.’’ – Florence and The Machine .


A.
- Desgraçado! Filho da puta! - Corri escadas abaixo tentando alcançar meu melhor amigo. Ou quase isso.
- Você tem espaço! - Explicava-se quase caindo no degrau.
- Tenho, e sabe o que falta nesse espaço? - Berrei, parando de correr. Ele parou também, mas com certa distância. - Geladeira, congelador, sofá, copos... E outras coisas necessárias para fazer uma festa! - Gritei.
- Calma, a galera vai trazer tudo.
- Vão trazer uma geladeira? - Perguntei, ironicamente.
- Não, o frigobar do estúdio.
- O que? - Respirei fundo. - Não era mais fácil fazer em algum lugar que já tivesse tudo isso?
- Sim, o Gutinho ia fazer lá em casa mas aí eu falei pra ele...
- Peraí, você quem quis fazer aqui? - Gritei, de novo.
- Mas é que... - Desci correndo novamente e ele tropeçou quase caindo. Alcancei-o e segurei sua camisa.
- Mas o que?
- Assim a Julieta fica na festa, mais tempo com você... - Fiquei em silêncio por algum tempo. - Era pra ver se acontecia alguma coisa, mas quando confirmei a festa não sabia dos avanços da situação no corredor, sabe... - Dei um tapa na cabeça dele, que revidou e acabamos sentados rindo na escada do segundo andar.

Web novela 2. Capítulo 42.



42º capítulo
‘’Se Maomé não vai até a festa... ‘’
J.
Estava plantada naquele corredor esperando ansiosamente por uma resposta.
- De verdade? - Perguntou. Respondi que sim, e meus batimentos aceleraram-se. - Não.
- Não está arrependida? - Arqueei a sobrancelha.
- Olha, desculpa se você não queria isso, eu não vou fazer mais nada, mas... - Interrompi-a com um beijo e ela passou os braços pela minha cintura. Encostou-me novamente na parede, o que eu gostei... Muito.
Ouvimos o barulho da porta se abrindo e nos afastamos rapidamente, Angélica pegou o saco do chão e a porta se abriu por completo. Joe saiu com cara de "eu-sei-o-que-vocês-fizeram-no-verão-passado" e revirou os olhos.
- Meninas, estamos de saída. - Percebeu nossa cara de espanto e continuou. - Gutinho ligou e disse que tem notícias boas e que vai ter festa pra comemorar.
- Gutinho? - Perguntei.
- Augusto, irmão mais velho do Joe. Trabalha no estúdio alguns dias com a gente. - Explicou-me Ange, mas logo voltou ao assunto. - Mas hoje é quarta-feira! - Disse inconformada, mas Joe deu de ombros. Ela olhou para seu relógio de pulso. - E não é um pouco cedo pra uma festa?
- Então... Mas a gente vai sair agora comprar as coisas para a festa! - Empolgou-se.
- Nossa... Mas a gente passa na ida, relaxa...
- Mas tem que dar tempo de arrumar tudo! - Discutiam os dois.
- Arrumar o que? - Perguntou ela cinco segundos antes de fazer uma cara meio brava, e entender exatamente o que estava havendo. - A não ser que a festa fosse aqui em casa... Certo? - Ele concordou com a cabeça. - EU VOU MATAR VOCÊ! - Gritou. Ele saiu correndo e ela foi atrás até que sumiram pelo corredor.
- Será que eu vou poder ir na festa? - Sussurrou Cody, espiando pelo cantinho da porta.
- Na verdade, eu acho que a festa vai vir até você. - Rimos e entramos no apartamento para estourar o resto do plástico bolha.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Web Novela 2. Capítulo 41.


41º capítulo
"I want to drive you into the corner and kiss you without a sound. [...] Now you're in and can't get out. You make me so hot" - Avril Lavigne.
A.
...

- Quer parar? - Julieta vinha atrás de mim e fechou a porta, ela parecia irritada. - Por que você ta assim? - Gritou.
- Olha... - Estava sentindo uma onda quente ao meu redor, e meu sangue pulsando em todos os lugares do meu corpo. - Chega. - Olhei para cima e soltei a sacola de lixo. Podia quase ouvir minha consciência, e ela dizia: "Não faça isso, não faça." Mas eu fiz, e como fiz. Quando tornei a olhar para baixo, não tive nem segundos para pensar, ou olhar para ela, simplesmente empurrei-a na parede e colei meus lábios nos seus. Ela me beijou de volta e segurou minha nuca, o que fez minha pulsação aumentar. Segurei-a pela cintura, ela era tão magra que ficava quase suspensa entre meu corpo e a parede. Sentir nossas línguas se tocando me dava vontade de algo que eu não sabia explicar nem para mim mesma. Aquilo parecia tão errado, que me dava mais vontade ainda de beijá-la. Passei os lábios por seu pescoço, lhe dando selinhos e ela riu baixo, o que foi muito fofo. Beijei-a mais uma vez e afastei pouquíssimo nossos narizes, para olhar para seu rosto.



Ficamos paradas por quase meio minuto, sem sorrir, sem falar, sem demonstrar absolutamente nenhuma expressão. Daria o mundo para saber o que ela estava pensando ou sentindo. E para falar a verdade, eu estava com medo de reagir de algum modo, com medo de que tivesse acabado de fazer uma besteira. Quando passados os meus trinta segundos de minha reflexão, ela ficou pensativa e olhou para baixo. Parei de pensar em tudo, e só fiquei com medo... Medo de um "não." Qualquer um dos possíveis: "não deveríamos ter feito isso", "não é certo", "eu não queria", "não vai acontecer de novo"... E por aí vai.
- Desculpa, desculpa, desculpa! - Afastei e desencostei-me dela. Ela pareceu surpresa.
- Eu...
- Não queria ter feito isso! - Interrompi-a. - Me desculpa?
- Não? - Arregalou os olhos.
- Não complica. - Entortei a boca. Ela riu e ficou próxima o suficiente para sentir sua respiração sob meus lábios.
- Está arrependida? - Perguntou, séria.
Eu estava arrependida? Perguntei-me mentalmente várias vezes e comecei a procurar por pelo menos uma razão para dizer que sim, que foi um erro, e que não deveríamos ter feito isso. Mas eu estaria mentindo, e muito. Era uma resposta de "sim" ou "não" que mudaria muita coisa por aqui. Talvez eu perdesse a amizade dela, mas não queria mentir...
- De verdade? - Entortei as sobrancelhas e senti minha testa se enrugando.
- De verdade. - Continuou séria.
- Não.

Web Novela 2. Capítulo 40.


40º capítulo
‘’O que diabos eu fiz?‘’

J.
Chegando em frente ao prédio de Ange, Joe estacionou e abriu o porta-malas. Todos saímos e ficamos encarando aquela caixa... Imensa.
- Tá! E agora? - Perguntei.
- Acho que nós três conseguimos levar. - Joe disse, olhando para nós duas.
- Verdade, nós três. Força Cody, a gente consegue. - Riu, e zombou de mim enquanto tentava levantar uma das pontas da caixa.
- Eu consigo levar sozinho! - Levou a sério, o garoto.
- Sério, mala. Vamos subindo e abrindo espaço já, você espera lá em cima com a porta aberta, e eu vou descer pra ajudar os dois a levar. Tá? - Os dois subiram enquanto ouvíamos reclamações do pequeno, querendo ajudar.
- Bom, eu vou esperar dentro do carro, fora do sol tá? - Avisei. Joe deu de ombros e encostou no carro.
Poucos segundos depois da porta do prédio se fechar, dois caras super malhados e tatuados passaram e falaram com Joe, parece que se conheciam do estúdio. Ele disse que estava com problemas para levar a caixa para cima e que seria ótimo ter ajuda. Praticamente pediu para que levassem, mas ambos fingiram não entender e disseram estar com pressa. Fiquei estressada e saí do carro.
- Não aguento mais esperar, Joe! - Reclamei, o que fez com que todos olhassem para mim, sem entender nada. Aproximei-me, puxei a camiseta para baixo causando um pequeno decote intensional, e passei os dedos entre meus fios de cabelo, enrolando-os na ponta. - Oi. - Sorri para os brutamontes tatuados.
- Olá, minha linda. - Respondeu o maior. - Tudo bem? - Entrou na frente de Joe, como se ele não existisse e sorriu para mim.
- Na verdade, não. - Forcei um bico. - Está tão calor... Queria um suco agora...
- Posso te pagar um suco? - Tocou meu braço, como se aquilo fosse oportuno ou apropriado de alguma maneira.
- Eu adoraria. - Sorri forçadamente. - Mas não posso... Tenho que levar esse trambolho gigante lá pra cima. - Resmunguei com o tom de voz fino até demais.
- Mas você é tão pequena! - Olhou-me, espantado.
- Pois é, mas o que posso fazer, não tenho ninguém para me ajudar. - Dei de ombros, fiz outro bico e fui em direção a caixa.
- Magina, nós levamos pra você, gata! - Interrompeu-me e controlou o amigo com o olhar para ajudá-lo com a caixa.
Cheguei no apartamento e Angélica estava prestes a sair, disse para que entrasse e logo os dois musculosos chegaram com a TV. Colocaram-na onde pedimos, e todos descemos, menos o pirralho, que estava procurando o cachorro ainda. Joe segurou-se para não rir o tempo todo, não sei se da minha atuação nível Broadway, ou se, do mais provável, ato inútil de me chamar para sair do tal tatuado que eu não consegui decorar o nome nos passados vinte minutos. Já Ange parecia aborrecida, cutuquei-a e perguntei o que ela tinha e ela disse que não era nada.
Os dois despediram-se de Joe, e o mais alto voltou a se aproximar de mim.
- E aquele suco, que tal agora? - Tentou pegar a minha mão, mas desviei.
- Que tal você me ligar? - Não gostou da idéia, mas aceitou o meu telefone. Quer dizer, o da minha irmã mais nova e mais insuportável, mas ele não sabia disso. Assim como não sabia que meu nome não era Nina. Ri por dentro enquanto iam embora.
Retornamos à sala para que Joe tentasse instalar a televisão, e Cody ajudasse-o de alguma forma, o que era só uma desculpa para estourar o plástico bolha. O apartamento estava uma bagunça de cabos, papéis, plásticos e papelões. Ange corria de um lado pro outro, com água e pó de café.
- Quer ajuda? - Ofereci, outra vez a toa, pois eu nunca havia feito café na vida.
- Não. - Virou-se, e pegou uma colher.
- Posso te ajudar em alguma outra coisa? - Dei a volta e observei-a contando colheres de pó. - Qualquer coisa?
- Eu não preciso da sua ajuda. - Disse, finalmente olhando para mim. - Relaxa, tá? - Continuou adicionando colheres.
- Você ta contando isso? - Apontei para o coador atolado de pó, vazando pela pia.
- Estou! Eu consigo fazer café sozinha! - Resmungou e voltou a olhar o que estava fazendo. - Não preciso da ajuda do seu namorado Johnny Bravo. - Sussurrou entre os resmungos, fazendo careta.
- O que você acabou de dizer? - Não pude não rir.
- Ah, vai lá rir com ele. - Deu as costas para mim e ensacolou o lixo.
- O que? Onde você vai? - Segui-a até a porta.
- Levar o lixo. - Continuou andando até o corredor. - A não ser que ele possa fazer isso também.
- Quer parar? - Saí no corredor e fechei a porta. - Por que você ta assim? - Praticamente gritei.
- Olha...Chega. - Ela olhou para cima, soltou a sacola no chão e começou a coçar o pescoço. - Meu coração acelerou, ela parecia estar muito brava. O que diabos eu fiz?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Web Novela 2. Capítulo 39.




39º capítulo
‘‘Cupid draw back your bow and let your arrow flow. [...] Hey Cupid, Cupid, I'm calling. ’’Amy Winehouse .

A.
Pedi que os funcionários levassem a caixa para o carro de Joe, que esperava com Cody lá fora. Abri a porta traseira e Julieta entrou, sem dizer nada. Entrei ao lado de Joe, que me julgava com um olhar mortífero.
- É uma televisão?
- Não, um cachorro. Por isso tava escrito televisão na caixa. - Sorri, mas Cody ignorou a segunda parte da frase e ficou falando que queria ver o cachorro.
- Por que tão grande? - Gritou, enquanto ligava o carro e tentava sair da vaga.
- Pra dar pra ver sua chatisse nela. Não tinha maior.
- Você vai pro inferno... Sabia, né? - Buzinou para alguém e pegou o caminho para minha casa.
- Tá bom pra mim. - Sorri. Olhei para trás e Julieta e Cody estavam rindo. - E você, mini-capeta, almoçou?
- Chefe Joe e eu almoçamos macarrão. - Sorriu.
- Chefe? - Olhei para Joe, que deu de ombros.
- O menino sabe das coisas, o que eu posso fazer? - Riu.
- Com uma você já divide colchão, piadinhas e game-boy e com o outro já tem apelidos? - Cody riu. - E de mim, ele ficou com medo.
- Completamente entendível. - Julieta disse, olhando-me e rindo.
- Certamente. - Completou Joe. - Já estou gostando dela. - Piscou pra mim. Olhei para frente e vi meu rosto se tornar vermelho, fiquei sem graça.
- Eu mereço. - Disfarcei e liguei o rádio.

Web Novela 2. Capítulo 38.


38º capítulo
‘’Desconto?‘’

J.
Estávamos conversando fazia tanto tempo que quase nos esquecemos de ir embora. Ofereci-me para pagar a conta, mas ainda bem que ela não aceitou, pois esqueci que estava sem dinheiro, bolsa, cartão... E para melhorar, eu estava sem dinheiro no banco. Mas, como eu tinha mais contas, e mais cartões em casa, não me preocupei tanto com isso. Era só estranho sair sem nada. E um estranho ruim, pois não tinha o poder de pagar por nada. Nunca, na minha vida, eu passei por isso.
Após sair do restaurante caminhamos pela calçada em silêncio, até que um vendedor, em frente á uma imensa loja de produtos eletrônicos, nos parou com uma voz de locutor de rádio e entregou folhetos de 50% de desconto e informando a chegada de novos produtos importados. Desconto? Produtos novos e importados?
- Quer dar uma olhada? - Perguntei, infelizmente sabendo que não poderia comprar nada. Isso era algo desconhecido...
- Tá bom. - Animou-se e entrou na loja. Até estranhei, ela realmente não comprava esse tipo de coisa, porque na verdade, ela parece não comprar nada... Afinal, o apartamento estava quase vazio.
Entrei atrás dela e observei produtos de cabelo ao fundo da loja. Disse a ela que ja voltava e fui ver alguns. Era uma tortura esse negócio de não ter dinheiro. Pensei em ligar para algum empregado trazer-me dinheiro, e algum dos carros. E aí me lembrei que também não tinha mais celular. Passei pelos aparelhos de celular e fui escolhendo os que iria comprar futuramente. Ou seja, amanhã. Acabei enrolando demais e me perdi de Ange.
Muito tempo depois, encontrei-a na fila para pagar.
- Oi... O que vai comprar? - Passei pela faixa e entrei na fila, ao seu lado.
- Ah.. Oi. - Sorriu. - Precisamos de uma TV pra jogar sábado, né?
- Você não tem uma TV? - Na verdade, isso não era uma surpresa.
- Então, eu até tinha, uma pequena e velha. Mas o Joe levou embora há meses. Na verdade, eu nem estava usando mesmo, estava encaixotada... Então.
- Você está consciente que falta o vídeo-game né?
- Isso eu ainda tenho!
- Você tem...? E não tem uma TV? - Entortei a boca. - Acho que não sou eu a estranha...
- Ah é...
Ficamos rindo e conversando mais algum tempo, enquanto ela pagava e esperávamos a tal televisão ser providenciada. Logo dois homens com camisas iguais, e feias para ser sincera, chegaram com uma caixa imensa e pesada.
- Angélica... Falcão? - Leu lentamente, o mais alto, o nome descrito em um papel meio amassado.
- Sou eu. - Olhei para ela, para a caixa e para ela de novo.
- Assina no risquinho aqui, e aqui também.- Ela o fez, e eles foram embora.
- Como? Só... COMO? - Percebi que ela também não tinha pensado nisso.
- Ah... Eu não sabia que eles não entregavam. - Coçou o pescoço e olhou para a caixa por um minuto. - Bom, só temos uma coisa a fazer.
- Suborná-los para que levem a TV e a gente? - Sorri esperançosamente, mas ela riu. Pegou o celular e ligou para alguém.
- Vem me buscar de carro. - Falou de imediato. Deu até medo. - Trás, ué. - Deu de ombros para mim, como se eu soubesse do que ela estava falando. - Rua da Pizza Hut, aquela loja de eletrônicos, sabe? - Explicou e logo riu. - Tava comprando um ''não interessa''. Vem logo. - Desligou.

Web Novela 2. Capítulo 37.


37º capítulo
‘‘ 'Cause God it just feels so... It just feels so good ’’Paramore .

A.
Nunca vi ninguém tão empolgado com pizza antes. Ela parecia mesmo uma criança, descobrindo as coisas.
- É a melhor coisa que eu já comi na minha vida! É néctar divino! - Riu rápido, para colocar outro pedaço na boca.
- É, eu concordei nas primeiras quinze vezes, mas agora preciso insistir: É só uma pizza. - Dei risada, mas aquela pizza não era só uma pizza. É uma pizza salvadora de respostas indefinidas. Não sabia o que falar, assim como não saberei se ela perguntar novamente. Queria ter coragem para dizer que, para mim, isso era um encontro. Mas eu ainda não confessava isso muito bem para meus próprios pensamentos.
- Já assistiu "Encantada"? - Perguntou, meio que do nada.
- O filme da princesa que fica perdida e não sabe nada sobre o mundo real? - Pausei. - Ah, entendi. - Rimos. Mas eu já havia entendido antes de perguntar.
- Parece que eu estou perdida? - Sorriu.
- Não sei, está? - Pensou.
- Acho que sim. Mas quem sabe dessa vez dá certo. - Riu. Tinha uma molécula de molho no seu rosto. Havia notado alguns minutos antes. Estava lutando com a minha vontade de limpar para ela. Se eu fizesse isso, seria um sinal de que as coisas estavam indo para esse caminho? Ou só uma cena brega de casal romântico de sessão da tarde? Quem sabe até os dois. O fato é que, se eu fizesse isso, ela entenderia o que significava? Porque eu também queria saber o que significava.
- Ange... - Sorriu, sem jeito.
- Oi? - Acordei dos meus pensamentos com ela inclinando-se sobre a mesa delicadamente. O que ela estava fazendo? Surtei por dentro em milésimos de segundos. Ela não ia me beijar, né? Ela está louca? Como assim? O que eu faço? Não sei se quero isso, não quero. Não me movi e ela passou a ponta de um guardanapo próximo aos meus lábios.
- Molho. - Sentou novamente. - Desculpa, tava me irritando. - Riu.
- Magina... - Meu coração estava acelerado e não pude evitar sorrir, mas logo parei. Ela não me beijou. Era uma droga admitir, mas por dentro eu realmente queria isso, que ela me beijasse.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Web novela 2. Capítulo 36.

36º capítulo
‘’Pizza e tempo. Tempo e pizza.‘’
J.
Angélica passou tanto tempo me perguntando sobre coisas que eu não como, que estava até me dando fome.
- Pra ser sincera, as vezes eu como. Mas eu não gosto muito de pizza.
- Você acabou de dizer que não gosta muito de pizza?
- Minha família sempre pede para o cozinheiro do restaurante Don Levinon fazer para...
- Peraí, você só comeu pizza desse cara de um restaurante riquinho, mesquinho e adepto a anorexia?
- É, mas não é bem assim.
- Bulimia também, eu sei. - Levantou-se e me estendeu a mão. - Venha, vou te levar em um lugar mágico, colorido, onde seus sonhos se realizam!
- Onde? - Não pude contar certa empolgação.

- Pizza Hut!
Descemos as escadas e falamos bom dia para o porteiro, e Angélica realmente sabia o nome dele. Estremeci ao relembrar do caminho oposto ao que tinha feito ontem a noite. Novamente, usei todas as técnicas de meditação e yoga para tentar sumir com aquilo da minha mente. Pelo menos hoje.
- Por que mesmo a gente vai a pé? Sério, eu chamo um táxi. - Olhei para meus pés, calçando sapatilhas. Angélica disse que ganhou de presente de uma amiga, e obviamente, nunca usou. Então me emprestou, mas eram um pouco largas, e eu já não sou fã de caminhar.
- Porque é aqui perto. - Insistiu.

- Mas meus pés doem. - Fiz bico - Por favor?
- Como você reclama, falei que te emprestava um tênis.
- Você nunca me verá de tênis. - Afirmei.
- Te farei usar tênis com o tempo. - Deu de ombros e fiquei sem graça. Com o tempo? O que isso significava? - Mas pode chamar seu amado táxi.
Tive que ouvi-la reclamar que se tivéssemos ido a pé já teríamos chego, os dez minutos em que ficamos esperando o motorista. Fiquei em silêncio no carro. Na verdade, fiquei o caminho todo pensando no que estávamos fazendo. Isso era um encontro? Estávamos sendo amigas? Com o tempo? Vamos passar tempo juntas? Gostaria de saber que tipo de tempo... Ou que tipo de ''juntas''.



O lugar estava lotado, pois era horário de almoço, mas conseguimos uma mesinha. Não me atrevo a dizer mesa, era mesinha. Não sabia o que pedir, não sabia como pedir. Ange tinha razão... Eu me sentia mesmo um alien. Pediu por mim e ficou dizendo que eu ia adorar. Mas não conseguia me concentrar em pizza.
- Com o tempo? - Perguntei num ato completamente e vergonhosamente espontâneo.
- O que? - Entortou a cabeça, fitando-me.
- Você disse que eu usaria tênis, que me faria... Com o tempo. - Parecia que eu estava recortando as palavras das frases e colando em lugares errados.
- Ah... E o que tem? - Sorriu, mas suas bochechas branquelas tornavam-se rosadas. Ela entendeu o que eu quis dizer.
- Significa que vamos passar mais tempo juntas... - Olhei para baixo enquanto falava.
- Certo. - Só respondeu quando tornei a olhar para cima. Mordeu o lábio, mas continuou olhando para mim, quase sem piscar.
- E o que isso significa? - Minha garganta coçava. Senti uma presença ao meu lado.
- Marguerita. Posso servir a senhorita? - Olhei para Angélica que riu, enquando consentia por mim.

Web novela 2. Capítulo 35.


35º capítulo
‘‘Do you like pancakes? Yeah, we like pancakes. ’’ Parry Gripp .
A.
Quarta-feira era um dia em que não tínhamos muitos clientes, e eu não havia marcado horário com ninguém. Sem contar que os três, Joe, Luci e Augusto estariam trabalhando hoje. Então estava feliz de poder faltar para passar um tempo com Julieta. Ela era divertida, por incrível que isso perecesse para mim.
- Ei! O que quer almoçar? - Perguntei animada.
- Hoje é que dia?
- É quarta, me-diga-que-não-tem-um-cardápio-especial-para-cada-dia-da-semana, feira.
- Na verdade, tenho. Hoje é dia de salada francesa com frango grelhado e arroz integral. E uma fatia de melancia. - Fiquei surpresa, apesar de já esperar uma resposta do gênero..

- É saudável e controlado. E assinado pela minha nutricionista.
- E o que acontece se você quiser comer cachorro-quente em plena quarta-feira?
- Não como cachorro-quente. - Confessou.
- O que? - Gritei. - Miojo?
- Isso existe de verdade? - Não respondi, só comecei a rir. - Pensei que fosse um daqueles alimentos inventados, que só se vê em filme...
- Salsicha? Panqueca? Doritos?
- Não, não e nunca.
- Nãããão! E X-Burguer? - Perguntei, ainda pasma.
- Quatro vezes por ano, mas o vegetariano.
- Meu Deus. E os cientistas esperando aliens...
- Ei, isso é completamente normal.
- Não, não é! Tudo bem, pergunta valendo 1 milhão de reais! - Pausei e olhei para ela, esperando alguma reação. - E não sei porque fiz essa referência se você nem deve saber quem é Silvio Santos.
- Idiota! - Bateu na minha cabeça e rimos.
- Tudo bem, conhece, ganhou direito a voto dos universitários. Preste bem atenção! - Observei-a, estreitando os olhos. - Você... - Respirei fundo. - Come... - Dei risada.
- O que, besta? - Revirou os olhos.
- ...Pizza?

Web novela 2. Capítulo 34.


34º capítulo
‘’Espontânea.‘’
J.
Passamos algumas horas conversando, até que me esqueci o dia da semana, o que houve na noite passada e até mesmo as pessoas irritantes da minha família. Falamos sobre vários assuntos e é incrível como tínhamos opiniões diferentes sobre quase tudo. Quase. Estávamos sentadas no chão, de frente uma para a outra, quando Angélica levantou, surpresa.

- Não acredito nisso, você tá inventando agora. - Acusou-me, rindo.
- Juro que é verdade! - Andava de um lado para o outro.
- Duvido. - Parou e sentou-se novamente.
- Isso é um desafio? - Ergui a sobrancelha.
- Talvez. - Sorriu com uma cara criminosa da máfia. E eu só reconheci isso por ter visto 007.
- Aceito.
- Sábado a noite então, vamos ver se você realmente é quem diz ser, senhorita Julieta! - Ambas rimos.
- Onde?
- Aqui. Pode ser? - Concordei. - Então esteja aqui, para o maior torneio de vídeo-game, com participação exclusiva de uma patricinha, de todos os tempos!
- Aguarde, Angélica... - Pausei. - Acabei de perceber que não sei seu nome inteiro. - Sorri de lado, deixando óbvia a pergunta sutil.
- Angélica Falcão. E você, Julieta Capuleto? - Rimos.
- Não, boba. Julieta Pimenta Erickson.
- Ah, só podia mesmo. Pimentinha.
- Acho isso uma completa infantilidade da sua parte. - Brinquei. Mas me fez cóceças até arfar de rir, e me fez dizer ''eu sou uma pimentinha'' como acordo de liberdade.
As coisas eram fáceis perto dela, e eu não estava acostumada com isso. Nunca me dei bem com ninguém tão facilmente, quando as brincadeiras, histórias, piadas e risos vem naturalmente. Não precisava ficar pensando no que responder ou fazer para agradá-la, nem nada do gênero, como fazia o tempo todo no meu cotidiano. Ela me fazia ser espontânea.