quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Web Novela 2. Capítulo 39.




39º capítulo
‘‘Cupid draw back your bow and let your arrow flow. [...] Hey Cupid, Cupid, I'm calling. ’’Amy Winehouse .

A.
Pedi que os funcionários levassem a caixa para o carro de Joe, que esperava com Cody lá fora. Abri a porta traseira e Julieta entrou, sem dizer nada. Entrei ao lado de Joe, que me julgava com um olhar mortífero.
- É uma televisão?
- Não, um cachorro. Por isso tava escrito televisão na caixa. - Sorri, mas Cody ignorou a segunda parte da frase e ficou falando que queria ver o cachorro.
- Por que tão grande? - Gritou, enquanto ligava o carro e tentava sair da vaga.
- Pra dar pra ver sua chatisse nela. Não tinha maior.
- Você vai pro inferno... Sabia, né? - Buzinou para alguém e pegou o caminho para minha casa.
- Tá bom pra mim. - Sorri. Olhei para trás e Julieta e Cody estavam rindo. - E você, mini-capeta, almoçou?
- Chefe Joe e eu almoçamos macarrão. - Sorriu.
- Chefe? - Olhei para Joe, que deu de ombros.
- O menino sabe das coisas, o que eu posso fazer? - Riu.
- Com uma você já divide colchão, piadinhas e game-boy e com o outro já tem apelidos? - Cody riu. - E de mim, ele ficou com medo.
- Completamente entendível. - Julieta disse, olhando-me e rindo.
- Certamente. - Completou Joe. - Já estou gostando dela. - Piscou pra mim. Olhei para frente e vi meu rosto se tornar vermelho, fiquei sem graça.
- Eu mereço. - Disfarcei e liguei o rádio.

Web Novela 2. Capítulo 38.


38º capítulo
‘’Desconto?‘’

J.
Estávamos conversando fazia tanto tempo que quase nos esquecemos de ir embora. Ofereci-me para pagar a conta, mas ainda bem que ela não aceitou, pois esqueci que estava sem dinheiro, bolsa, cartão... E para melhorar, eu estava sem dinheiro no banco. Mas, como eu tinha mais contas, e mais cartões em casa, não me preocupei tanto com isso. Era só estranho sair sem nada. E um estranho ruim, pois não tinha o poder de pagar por nada. Nunca, na minha vida, eu passei por isso.
Após sair do restaurante caminhamos pela calçada em silêncio, até que um vendedor, em frente á uma imensa loja de produtos eletrônicos, nos parou com uma voz de locutor de rádio e entregou folhetos de 50% de desconto e informando a chegada de novos produtos importados. Desconto? Produtos novos e importados?
- Quer dar uma olhada? - Perguntei, infelizmente sabendo que não poderia comprar nada. Isso era algo desconhecido...
- Tá bom. - Animou-se e entrou na loja. Até estranhei, ela realmente não comprava esse tipo de coisa, porque na verdade, ela parece não comprar nada... Afinal, o apartamento estava quase vazio.
Entrei atrás dela e observei produtos de cabelo ao fundo da loja. Disse a ela que ja voltava e fui ver alguns. Era uma tortura esse negócio de não ter dinheiro. Pensei em ligar para algum empregado trazer-me dinheiro, e algum dos carros. E aí me lembrei que também não tinha mais celular. Passei pelos aparelhos de celular e fui escolhendo os que iria comprar futuramente. Ou seja, amanhã. Acabei enrolando demais e me perdi de Ange.
Muito tempo depois, encontrei-a na fila para pagar.
- Oi... O que vai comprar? - Passei pela faixa e entrei na fila, ao seu lado.
- Ah.. Oi. - Sorriu. - Precisamos de uma TV pra jogar sábado, né?
- Você não tem uma TV? - Na verdade, isso não era uma surpresa.
- Então, eu até tinha, uma pequena e velha. Mas o Joe levou embora há meses. Na verdade, eu nem estava usando mesmo, estava encaixotada... Então.
- Você está consciente que falta o vídeo-game né?
- Isso eu ainda tenho!
- Você tem...? E não tem uma TV? - Entortei a boca. - Acho que não sou eu a estranha...
- Ah é...
Ficamos rindo e conversando mais algum tempo, enquanto ela pagava e esperávamos a tal televisão ser providenciada. Logo dois homens com camisas iguais, e feias para ser sincera, chegaram com uma caixa imensa e pesada.
- Angélica... Falcão? - Leu lentamente, o mais alto, o nome descrito em um papel meio amassado.
- Sou eu. - Olhei para ela, para a caixa e para ela de novo.
- Assina no risquinho aqui, e aqui também.- Ela o fez, e eles foram embora.
- Como? Só... COMO? - Percebi que ela também não tinha pensado nisso.
- Ah... Eu não sabia que eles não entregavam. - Coçou o pescoço e olhou para a caixa por um minuto. - Bom, só temos uma coisa a fazer.
- Suborná-los para que levem a TV e a gente? - Sorri esperançosamente, mas ela riu. Pegou o celular e ligou para alguém.
- Vem me buscar de carro. - Falou de imediato. Deu até medo. - Trás, ué. - Deu de ombros para mim, como se eu soubesse do que ela estava falando. - Rua da Pizza Hut, aquela loja de eletrônicos, sabe? - Explicou e logo riu. - Tava comprando um ''não interessa''. Vem logo. - Desligou.

Web Novela 2. Capítulo 37.


37º capítulo
‘‘ 'Cause God it just feels so... It just feels so good ’’Paramore .

A.
Nunca vi ninguém tão empolgado com pizza antes. Ela parecia mesmo uma criança, descobrindo as coisas.
- É a melhor coisa que eu já comi na minha vida! É néctar divino! - Riu rápido, para colocar outro pedaço na boca.
- É, eu concordei nas primeiras quinze vezes, mas agora preciso insistir: É só uma pizza. - Dei risada, mas aquela pizza não era só uma pizza. É uma pizza salvadora de respostas indefinidas. Não sabia o que falar, assim como não saberei se ela perguntar novamente. Queria ter coragem para dizer que, para mim, isso era um encontro. Mas eu ainda não confessava isso muito bem para meus próprios pensamentos.
- Já assistiu "Encantada"? - Perguntou, meio que do nada.
- O filme da princesa que fica perdida e não sabe nada sobre o mundo real? - Pausei. - Ah, entendi. - Rimos. Mas eu já havia entendido antes de perguntar.
- Parece que eu estou perdida? - Sorriu.
- Não sei, está? - Pensou.
- Acho que sim. Mas quem sabe dessa vez dá certo. - Riu. Tinha uma molécula de molho no seu rosto. Havia notado alguns minutos antes. Estava lutando com a minha vontade de limpar para ela. Se eu fizesse isso, seria um sinal de que as coisas estavam indo para esse caminho? Ou só uma cena brega de casal romântico de sessão da tarde? Quem sabe até os dois. O fato é que, se eu fizesse isso, ela entenderia o que significava? Porque eu também queria saber o que significava.
- Ange... - Sorriu, sem jeito.
- Oi? - Acordei dos meus pensamentos com ela inclinando-se sobre a mesa delicadamente. O que ela estava fazendo? Surtei por dentro em milésimos de segundos. Ela não ia me beijar, né? Ela está louca? Como assim? O que eu faço? Não sei se quero isso, não quero. Não me movi e ela passou a ponta de um guardanapo próximo aos meus lábios.
- Molho. - Sentou novamente. - Desculpa, tava me irritando. - Riu.
- Magina... - Meu coração estava acelerado e não pude evitar sorrir, mas logo parei. Ela não me beijou. Era uma droga admitir, mas por dentro eu realmente queria isso, que ela me beijasse.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Web novela 2. Capítulo 36.

36º capítulo
‘’Pizza e tempo. Tempo e pizza.‘’
J.
Angélica passou tanto tempo me perguntando sobre coisas que eu não como, que estava até me dando fome.
- Pra ser sincera, as vezes eu como. Mas eu não gosto muito de pizza.
- Você acabou de dizer que não gosta muito de pizza?
- Minha família sempre pede para o cozinheiro do restaurante Don Levinon fazer para...
- Peraí, você só comeu pizza desse cara de um restaurante riquinho, mesquinho e adepto a anorexia?
- É, mas não é bem assim.
- Bulimia também, eu sei. - Levantou-se e me estendeu a mão. - Venha, vou te levar em um lugar mágico, colorido, onde seus sonhos se realizam!
- Onde? - Não pude contar certa empolgação.

- Pizza Hut!
Descemos as escadas e falamos bom dia para o porteiro, e Angélica realmente sabia o nome dele. Estremeci ao relembrar do caminho oposto ao que tinha feito ontem a noite. Novamente, usei todas as técnicas de meditação e yoga para tentar sumir com aquilo da minha mente. Pelo menos hoje.
- Por que mesmo a gente vai a pé? Sério, eu chamo um táxi. - Olhei para meus pés, calçando sapatilhas. Angélica disse que ganhou de presente de uma amiga, e obviamente, nunca usou. Então me emprestou, mas eram um pouco largas, e eu já não sou fã de caminhar.
- Porque é aqui perto. - Insistiu.

- Mas meus pés doem. - Fiz bico - Por favor?
- Como você reclama, falei que te emprestava um tênis.
- Você nunca me verá de tênis. - Afirmei.
- Te farei usar tênis com o tempo. - Deu de ombros e fiquei sem graça. Com o tempo? O que isso significava? - Mas pode chamar seu amado táxi.
Tive que ouvi-la reclamar que se tivéssemos ido a pé já teríamos chego, os dez minutos em que ficamos esperando o motorista. Fiquei em silêncio no carro. Na verdade, fiquei o caminho todo pensando no que estávamos fazendo. Isso era um encontro? Estávamos sendo amigas? Com o tempo? Vamos passar tempo juntas? Gostaria de saber que tipo de tempo... Ou que tipo de ''juntas''.



O lugar estava lotado, pois era horário de almoço, mas conseguimos uma mesinha. Não me atrevo a dizer mesa, era mesinha. Não sabia o que pedir, não sabia como pedir. Ange tinha razão... Eu me sentia mesmo um alien. Pediu por mim e ficou dizendo que eu ia adorar. Mas não conseguia me concentrar em pizza.
- Com o tempo? - Perguntei num ato completamente e vergonhosamente espontâneo.
- O que? - Entortou a cabeça, fitando-me.
- Você disse que eu usaria tênis, que me faria... Com o tempo. - Parecia que eu estava recortando as palavras das frases e colando em lugares errados.
- Ah... E o que tem? - Sorriu, mas suas bochechas branquelas tornavam-se rosadas. Ela entendeu o que eu quis dizer.
- Significa que vamos passar mais tempo juntas... - Olhei para baixo enquanto falava.
- Certo. - Só respondeu quando tornei a olhar para cima. Mordeu o lábio, mas continuou olhando para mim, quase sem piscar.
- E o que isso significa? - Minha garganta coçava. Senti uma presença ao meu lado.
- Marguerita. Posso servir a senhorita? - Olhei para Angélica que riu, enquando consentia por mim.

Web novela 2. Capítulo 35.


35º capítulo
‘‘Do you like pancakes? Yeah, we like pancakes. ’’ Parry Gripp .
A.
Quarta-feira era um dia em que não tínhamos muitos clientes, e eu não havia marcado horário com ninguém. Sem contar que os três, Joe, Luci e Augusto estariam trabalhando hoje. Então estava feliz de poder faltar para passar um tempo com Julieta. Ela era divertida, por incrível que isso perecesse para mim.
- Ei! O que quer almoçar? - Perguntei animada.
- Hoje é que dia?
- É quarta, me-diga-que-não-tem-um-cardápio-especial-para-cada-dia-da-semana, feira.
- Na verdade, tenho. Hoje é dia de salada francesa com frango grelhado e arroz integral. E uma fatia de melancia. - Fiquei surpresa, apesar de já esperar uma resposta do gênero..

- É saudável e controlado. E assinado pela minha nutricionista.
- E o que acontece se você quiser comer cachorro-quente em plena quarta-feira?
- Não como cachorro-quente. - Confessou.
- O que? - Gritei. - Miojo?
- Isso existe de verdade? - Não respondi, só comecei a rir. - Pensei que fosse um daqueles alimentos inventados, que só se vê em filme...
- Salsicha? Panqueca? Doritos?
- Não, não e nunca.
- Nãããão! E X-Burguer? - Perguntei, ainda pasma.
- Quatro vezes por ano, mas o vegetariano.
- Meu Deus. E os cientistas esperando aliens...
- Ei, isso é completamente normal.
- Não, não é! Tudo bem, pergunta valendo 1 milhão de reais! - Pausei e olhei para ela, esperando alguma reação. - E não sei porque fiz essa referência se você nem deve saber quem é Silvio Santos.
- Idiota! - Bateu na minha cabeça e rimos.
- Tudo bem, conhece, ganhou direito a voto dos universitários. Preste bem atenção! - Observei-a, estreitando os olhos. - Você... - Respirei fundo. - Come... - Dei risada.
- O que, besta? - Revirou os olhos.
- ...Pizza?

Web novela 2. Capítulo 34.


34º capítulo
‘’Espontânea.‘’
J.
Passamos algumas horas conversando, até que me esqueci o dia da semana, o que houve na noite passada e até mesmo as pessoas irritantes da minha família. Falamos sobre vários assuntos e é incrível como tínhamos opiniões diferentes sobre quase tudo. Quase. Estávamos sentadas no chão, de frente uma para a outra, quando Angélica levantou, surpresa.

- Não acredito nisso, você tá inventando agora. - Acusou-me, rindo.
- Juro que é verdade! - Andava de um lado para o outro.
- Duvido. - Parou e sentou-se novamente.
- Isso é um desafio? - Ergui a sobrancelha.
- Talvez. - Sorriu com uma cara criminosa da máfia. E eu só reconheci isso por ter visto 007.
- Aceito.
- Sábado a noite então, vamos ver se você realmente é quem diz ser, senhorita Julieta! - Ambas rimos.
- Onde?
- Aqui. Pode ser? - Concordei. - Então esteja aqui, para o maior torneio de vídeo-game, com participação exclusiva de uma patricinha, de todos os tempos!
- Aguarde, Angélica... - Pausei. - Acabei de perceber que não sei seu nome inteiro. - Sorri de lado, deixando óbvia a pergunta sutil.
- Angélica Falcão. E você, Julieta Capuleto? - Rimos.
- Não, boba. Julieta Pimenta Erickson.
- Ah, só podia mesmo. Pimentinha.
- Acho isso uma completa infantilidade da sua parte. - Brinquei. Mas me fez cóceças até arfar de rir, e me fez dizer ''eu sou uma pimentinha'' como acordo de liberdade.
As coisas eram fáceis perto dela, e eu não estava acostumada com isso. Nunca me dei bem com ninguém tão facilmente, quando as brincadeiras, histórias, piadas e risos vem naturalmente. Não precisava ficar pensando no que responder ou fazer para agradá-la, nem nada do gênero, como fazia o tempo todo no meu cotidiano. Ela me fazia ser espontânea.