segunda-feira, 30 de maio de 2011

Web novela 2. Capítulo 30.


30º capítulo
"A palavra = Amiga."

J.
Enquanto tomava banho no banheiro de Angélica, fiquei refletindo. Havia acontecido muitas coisas em uma noite, ou madrugada. Ou manhã, conclui olhando pelo pequeno vitrô. Queria saber quem era aquele cara... Ai meu Deus! Será que era namorado dela? Não, não podia ser. Além do mais, ela tinha fotos com uma mulher na parede, e elas não pareciam nem um pouco amiguinhas de infância. Pff! Onde foi que eu me meti? Tentei me entender por um minuto, não sabia o motivo de ter vindo para o apartamento dela, mas ela foi tão... Tudo. Afinal, me recebeu em plena madrugada, aos trapos, lembrei-me. Passou um calafrio pelo meu corpo ao relembrar a noite que havia passado. Balancei a cabeça involuntariamente, tentando esquecer disso por um tempo.
Voltei a pensar em Angélica, e nos tópicos. Eu gostava de fazer tópicos para tudo, era mais fácil de entender as coisas, me ajudam a pensar. Mas para o que será, exatamente que eu estava fazendo tópicos? "Angélica e as coisas boas que ela havia feito para mim desde que nos conhecemos". Hum. "Lado bom e lado ruim de Angélica". Qual seria o lado ruim? Pff! Já sei! "Razões para me tornar amiga de Angélica". Instantâneamente a palavra "amiga" fez-me fechar a cara. Repeti mentalmente a palavra para tentar me acostumar com ela. Não gostava dela, quando se tratava de Angélica, e isso começava a me preocupar. Eu não queria ser só "a palavra" para ela, queria ser... Um pouquinho mais. Bati na testa duas vezes e achei-me idiota. Eu não gosto de mulheres. Quer dizer, não nesse sentido, ou pelo menos nunca havia gostado antes. E também, não ia ser agora que ia começar a gostar da Dona Flor e seus dois maridos. Ou seu marido e sua mulher. Ri baixo de minhas idiotices.
Voltando aos tópicos, e ao título deles, percebi que estava enrolando meus próprios pensamentos, pois já sabia a razão de meus tópicos dessa vez: " Motivos que tenho para querer ser mais que "a palavra" para Angélica." Bufei e acabei rindo da minha própria cara. "A palavra" não, idiota. "Amiga".
- Amiga...? - Sussurrei para o nada. Estremeci e desliguei o chuveiro.

Enrolei-me na toalha rosa e fiquei tentando imaginar Angélica comprando uma toalha daquela cor. Nem deveria ter sido ela que comprou, pff. Sequei-me, tremendo de frio e acabei me enrolando de novo. Fiquei enrolando alguns minutos para abrir a porta e verificar se a roupa estava ali mesmo, acho que fiquei com um pouco de vergonha.
Destranquei a porta silenciosamente e abri um pouco, tentando espiar. Localizei roupas dobradas no chão e puxei rapidamente. Fechei a porta e tranquei, sentindo-me idiota, e um pouco ninja, confesso. Era uma camiseta branca, sem estampas e uma calça jeans normal. Vesti-me e fiquei um tempo olhando para o espelho. As roupas eram larguinhas, que era mais ou menos o estilo de Ange.
Sequei um pouco o cabelo, estendi a toalha e saí do banheiro. Não havia ninguém no apartamento, além do garoto, que no momento estava se empaturrando de donuts. Não pude deixar de rir quando notei cobertura rosa em seu nariz. O garoto olhou-me, surpreso, pois não havia notado a minha presença.
- Oi. - Acenei sorrindo.
- Oi. - Ou algo parecido, que não entendi direito porque estava com a boca cheia. Estava descalça, então fui saltitando com frio até onde o menino estava sentado.
- Posso ficar aqui com você? - Fez que sim com a cabeça, então sentei-me. Estendeu a caixa, oferecendo-me o doce. - Não quero, obrigada. - Deu de ombros. - Isso é o seu café da manhã? - Confirmou com a cabeça. - E a sua janta ontem foi batata frita? - Engoliu, lambendo os lábios.
- É, mais ou menos. Acho que sim. - Balancei a cabeça negativamente e fiquei imaginando os problemas de saúde que esse garoto teria.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Web novela 2. Capítulo 29. PT2.



Quando Julieta soltou meu corpo e se afastou, pude ver sua maquiagem manchada por lágrimas. Ainda não sabia o que dizer, nem o que havia acontecido. Por sinal, não sabia nem se eu deveria perguntar alguma coisa. Abri a boca e tentei pensar em algo para dizer antes que ela me visse fazendo isso.
- Olha... - Ela colocou sua mão no meu rosto, estava fria. Parei de falar.
- Sei que não deveria estar aqui, afinal não nos conhecemos direito, - tentou sorrir - mas posso te pedir uma coisa? - Assenti. - Posso tomar banho?
- Ah. - Ri baixo.
- Desculpa, eu vou pra casa... - Olhou para a porta e começou a caminhar em direção a saída. Puxei-a pelo braço e acabei lembrando-me de quando nos conhecemos.
- É claro que pode. - Sorri e fui procurar a caixa de toalhas.
- Olha, eu não sei o que eu estava pensando quando vim aqui te procurar, ainda mais de madrugada. Aliás, vai amanhecer. - Tagarelava sem parar. - Acho que na verdade, eu não estava pensando. Mas o que importa é agora eu estou, então esquece o banho, de verdade. - Olhei-a segurando duas toalhas, uma rosa e uma verde.
- Pega uma que eu vou te mostrar onde ficam as coisas no banheiro. - Esperei ela pegar a rosa, obviamente, e acompanhei-a até o banheiro.
- Ange, eu vou pra casa. - Disse-me tentando passar por mim para sair do banheiro. Bloqueei o caminho e olhei fixamente para seus olhos, até que olhasse para mim.
- Deixa alguém cuidar de você alguma vez na vida. - Abriu a boca para falar algo. - Deixa eu cuidar de você. - Arqueei a sobrancelha.
Como ficou sem graça, sussurrou algo que pareceu um '' tá bom'' e virou para o chuveiro. Apontei o lugar onde as coisas ficavam e saí do banheiro, fechando a porta. Um alívio tomou minha mente, pois não sabia de onde havia tirado coragem para falar aquilo. Olhei para Cody, ainda de longe, praticamente roncava de tão alto que respirava. Ouvi o chuveiro sendo ligado e encostei-me de costas para a porta. Precisava pegar roupas limpas para ela. Será que ela pretendia dormir aqui? Será que pretendia dormir? Bom, se ela fosse ficar é claro que tenho o colchonete do Joe enrolado em algum canto, mas suponho que ela não vá querer dormir ali.
Ouvi a porta rangendo um pouco, virei-me e vi Joe entrando com uma caixa de Donuts. Olhei novamente para a sacada, estava tão tarde assim? Quer dizer, cedo.
- Olha o que eu trouxe pra você, sumida! - Parou em frente a Cody, olhou para mim abismado. - Quem é esse? - Pensei em mil coisas para responder, mas Julieta foi mais rápida ao abrir a porta. Caí no chão e ela gritou de susto. Por sorte, ainda estava vestida, acho que estava esperando o meu chuveiro super lento começar a esquentar.
Cody acordou com o grito e ficou nos olhando assustado.
- O que é que está acontecendo? - Gritou Joe. Julieta voltou para o banheiro e desligou o chuveiro.
- Eu só ia pedir uma sacola, mas acho melhor eu ir embora. - Sussurrou para mim. Empurrei-a com calma para dentro do banheiro de novo.
- Aqui, - puxei uma sacolinha de uma das gavetinhas do balcão da pia - se precisar de mais pode pegar. Vou pegar roupas limpas pra você, quando sair do banho vão estar aqui na porta. - Sorri.
Saí do banheiro sentindo o olhar de Joe me fuzilar. Caminhei até minha caixa de roupas limpas, peguei uma roupa simples e coloquei em frente a porta do banheiro. Peguei a caixa de Donuts que estava sobre o balcão e entreguei a Cody.
- Aproveita que tá aqui e come um pouco de porcaria vai. - Pulou na caixa e começou a adivinhar os sabores.
Fui puxada para fora do apartamento e fechei a porta, calmamente.
- Que porra toda é essa? - Cocei a cabeça. - Não adianta coçar a cabeça e o pescoço, entortar a boca ou morder os lábios. E nem pense em gaguejar. - Arqueou a sobrancelha.
- Lembra que o Caleb ligou? - Sussurrei.
- Ah! - Berrou, - ele também tá ai dentro?
- Não! Não é isso. - Mordi o lábio inferior.
- Então explica, porque a última vez que te vi você morava sozinha. E agora, constituiu uma família com a Mortícia Adams? - Apoiou o braço no batente. Demorei a entender que ele estava falando da Julieta, pois ela estava com as roupas rasgadas e maquiagem borrada e coisas afins. Mas, a Mortícia Adams só anda de preto. Diria que estava parecendo A Noiva Cadáver, de Tim Burton. Ou quase isso.

- Angélica!
- Que? - Percebi que havia deixado Joe sem resposta. - Tá, tudo bem! Mas senta, que lá vem história. E muita história. - Revirou os olhos e me ouvia enquanto brincava com seu piercing na boca.



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Web novela 2. Capítulo 29.

























29º capítulo
‘‘ Beautiful girl, stay with me. ’’ INXS .

A.
Ia amanhecer em pouco tempo e eu não havia pensado em soluções para nenhum dos meus problemas. Aliás, apesar do Caleb ser um imenso problema no momento, eu não conseguia parar de pensar na Julieta. E isso me deixava mais irritada e magoada de certa forma. Não sei porque, me senti traída, sendo que não tenho nada com ela. Nem vou ter, ainda mais agora. Pff, como eu estava confusa. Assustei-me com batidas na porta. Quem seria a essa hora? Caleb, como sempre, passou pela minha cabeça. Fui rapidamente abrir antes que Cody acordasse.
- O que... - Foi a única coisa que consegui pronunciar ao ver Julieta com roupas rasgadas e sujas, e acho que com sangue. Ela estava destruída. Olhava-me com uma expressão indecifrável, ou apenas não estava pensando em nada. Peguei sua bolsa e coloquei no chão ao lado da porta, peguei sua mão e puxei-a para dentro, com certa distância. Andou calmamente e parou no meio do meu apartamento, não disse nada, continuei olhando para seus olhos e percebi que ainda segurava sua mão. Tive medo de soltar, mas tive mais ainda de continuar segurando, então fui soltando aos poucos e acho que ela acabou nem percebendo. Aquele era um momento em que eu entendi o que realmente significava ''não saber o que dizer''. Pensei em dizer para ela se sentar, mas eu não tinha uma cadeira. Também passou pela minha cabeça oferecer uma água, mas acho que o que ela precisa é de um banho. Isso, um banho! Como eu sou idiota, eu não diria pra ela "quer tomar um banho", né? Ou diria? Talvez eu devesse perguntar o que aconteceu, quer dizer, se ela quisesse me dizer, afinal ela veio me procurar.
Enquanto meus devaneios ocupavam minha mente, mal pude perceber seus lábios finalmente sussurrando algo para mim:
- Posso te dar um abraço? - Sua voz falhava, como se mais uma palavra fosse necessária para que começasse a chorar.
- Cl... Claro. - Não consegui me mover, ao contrário dela. Veio de encontro a mim, encaixou seu queixo no meu ombro e me apertou com uma força que eu não sabia que ela tinha.

"Running from a bad home. [...] She says stay with me."

- Fica aqui comigo? - Sussurrou. Não entendi bem, mas concordei. Abraçou-me mais forte ainda, mas dessa vez abracei-a de volta e tentei me lembrar de quando fora a última vez que senti o que estava sentindo agora. Imediatamente pensei em Kiko, meu cachorro de infância, que havia morrido após muitos anos doente. Lembrei-me de como eu me sentia quando o via triste e doente e inconscientemente abracei Julieta mais forte. Senti-me uma criança, e ao mesmo tempo mais madura por querer protegê-la. Só não sabia do que.


domingo, 15 de maio de 2011

Web novela 2. Capítulo 28.


28º capítulo
‘’ Mentindo ‘’

J.
Estava cada vez mais perdida, eu era uma idiota. Estava ficando tarde e eu estava ficando cansada de dirigir, tão cansada que vi alguém cair no meu capô e depois no chão e demorei para raciocinar que eu havia atropelado uma pessoa. Parei o carro e pulei para fora indo ver se eu havia matado alguém. Abaixei-me e o homem começou a se levantar como se nada tivesse acontecido. Senti meu cabelo sendo puxado e meu pescoço apertado contra alguém de grande porte. O sujeito que estava caído veio na minha direção e eu não conseguia me mexer, pois alguém estava me segurando.
- O que uma garota tão linda como você está fazendo sozinha aqui? - Aproximou-se e passou os dedos pelo meu pescoço.
- Me solta! - Comecei a me debater inutilmente. - Socorro! - Gritei. Ele colocou a mão sobre a minha boca, nunca senti tanto nojo na minha vida. Quase vomitei.
- Fica quietinha, que eu não corto a sua língua, combinado? - Engoli a seco e parei de me debater, já ofegante. Meu celular começou a tocar.
- Que barulho é esse? - Perguntou o homem que me segurava a força. O outro tirou a mão da minha boca.
- Nada! - Falei alto e voltei a tentar me soltar. Temi que ele quisesse fazer algo contra alguém, pois poucos tinham esse meu número de celular.
- Achei! - Um terceiro homem apareceu com a minha bolsa e meu celular tocando na mão. O que havia tapado minha boca, e parecia ser o que mandava neles, pegou e apertou para atender, ao mesmo tempo sussurrando ''Pareça normal, ou eu mato quem quer que seja."
- Alô? - Atendi tentando fazer minha voz parecer normal, segurando o choro.
- É o maridão rico? - Sussurrou um deles ao meu lado.
- Ju... É a...
- Angélica! - Gritei, pois algo me confortou por algum momento. Completamente sem pensar, fiquei feliz por segundos. - Oi.
- Oi... Você tá bem? - Encarei os olhares de vários marmanjos me fitando. Não consegui falar nada. - Quer dizer, saiu daqui meio abalada.
- Fala, garota. - Sussurrou e me beliscou o que segurava minha bolsa.
- Ah, eu to legal sim. - Respirava com dificuldade, com o cara enorme que segurava meu pescoço.
- Olha, você ta chateada? Porque se estiver, me desculpa. - O sujeito que segurava o celular colou-o na minha boca, talvez para me irritar, não sei.
- Angélica, eu to ocupada. - Tentei ser indiferente, mas minha respiração acelerava cada vez mais.
- O que foi? O que tá acontecendo? - Senti vontade de me enterrar no chão.
- É a namoradinha é? - Riu baixo um dos idiotas.
- Nada... - Consegui falar por pouco, e o homem pressionava meu pescoço cada vez mais. Que ódio. - Vou desligar. - Suspirei.
- Não... - Angélica falou alto. O homem que eu achava ser o ''líder'' deles começou a me chamar por nomes desagradáveis em voz alta. - Quem tá aí? - Perguntou ela, respirei fundo e tentei pensar no que responder. Não deu tempo, o chefe dos nojentos pegou o celular e respondeu por mim.
- Estamos ocupados. - Sorriu para mim e piscou. Grunhi. - Tchau. - Desligou, entregando o celular para o capanga que segurava minha bolsa. - O que foi? Não gostou não? - Se aproximou de mim e colou os lábios no meu rosto. Senti lágrimas escorrendo pela minha face.
- Me deixa ir embora. - Sussurrei. Continuava imóvel, e nem tentava mais sair do lugar.
- Eu decido quando você vai embora. - Aproximou sua boca dos meus lábios, quase tocando-os.
- Por favor, pode pegar tudo o que quiser, só me deixa ir. Não vou dar queixa, eu juro. - Supliquei, meu choro se intensificou na medida em que as palavras saíram pela minha boca.
- Vou fazer uma pergunta, e eu quero que a moça seja bem sincera, tudo bem? - Fiz que sim, ainda quase imóvel. - Você tem muita grana no banco? - Fiz que sim novamente, dessa vez demorando um pouco mais para responder. - Vamos fazer um trato então. Nós vamos ao banco, você me fala sua senha, eu retiro o dinheiro enquanto você espera no carro, e se tudo der certo eu deixo você ir embora.
- Porque eu devo acreditar em você? - Arrisquei. Ele sorriu e acenou para o homem atrás de mim, que me soltou. Respirei fundo e passei as mãos pelo meu pescoço, que estava dolorido.
- Porque estou te dando a minha palavra. - Pegou na minha mão. Quis soltar, mas senti medo. - E eu nunca quebro promessas. - Disse seriamente, olhando fixo para mim.
- Jura que não vão fazer nada comigo, que vão devolver meus pertences pessoais e me deixar ir embora em paz? - Meu coração estava acelerado, mas tentei manter a coragem.
- Prometo que se eu conseguir meu dinheiro, farei tudo isso. - Respirei fundo.
- Ta bom. - Ele voltou a sorrir e me puxou delicadamente para perto do meu carro. Abriu a porta traseira e me apontou para que entrasse, fez o mesmo com um dos outros caras. Escorreguei para o outro lado, mas logo a porta se abriu e um gordo entrou, fechando-me no meio. As portas da frente se abriram rapidamente e os outros dois entraram, com o ''chefe'' dirigindo. Senti-me como em um filme de ação.
- Caso não tenha percebido, o carro agora é meu, tá. - Grunhi. Como se eu realmente estivesse me importando com o carro.
Dei as direções á ele, e no caminho fiquei prestando atenção no grupo. O que estava á minha esquerda era alto, forte e tinha a barba mal feita. Olhava-me pelo canto dos olhos algumas vezes, o que me incomodava. Não havia o visto até que entrasse no carro. Á minha direita, o gordo. Parecia ser o mais nojento e idiota de todos, e pelo que pude enxergar, é o que pegou minha bolsa. Olhei para o seu colo, com alguns dos meus pertences. Celulares, vários eletrônicos inúteis, uma câmera e um par de brincos.
- Onde está a minha bolsa? - Sussurrei para ele. Esforçou-se para puxá-la para fora do espaço entre ele e a porta do carro. Hesitou ao me dar, mas como havia tirado quase tudo, me entregou. Puxei um batom meu, observei-o e percebi que era mais caro que os aparelhos que ele segurava. Ri baixo, guardando-o e voltei a observar os outros dois homens da frente. O que dirigia era o sacana mandão, e o que estava ao seu lado era imenso e forte, tinha certeza que era quem estava me segurando.
Chegamos ao banco 24 horas e o chefe, Renan, que era como todos o chamavam, pegou meu cartão e anotou minha senha. Desceram os dois da frente dando algumas ordens e o gordo tomou a direção. Foi para uma parte escura da rua que virava em um beco, estacionou ali.
- Ei, idiota. Renan mandou uma mensagem mandando tu comprar quatro lanches. - Murmurou quase sem vontade de falar, enquanto guardava o celular.
- Por que sempre eu? - Resmungou, descendo do carro. - Vai fazer isso, vai fazer aquilo... Eu como quatro lanches sozinho! - Grunhiu e saiu, virando a esquina. Observei-o sem muita atenção, suspirei e virei lentamente o rosto. O grandão que restava no carro sorriu, demonstrando a falta de alguns dentes.
- Meu nome é Jonas. - Arqueou uma sobrancelha. Dei de ombros e ele se aproximou. - O que foi? Tá com medo de mim? - Inclinou o corpo por cima do meu, tentei me afastar e ele segurou meus braços.
- Me solta agora! - Gritei. Ele abriu a porta rindo, ainda me segurando e me puxou quase sem esforço nenhum para fora, fazendo minha bolsa voar longe.
- Como a princesa chama? - Sussurrou no meu ouvido, senti um cheiro abominável de seu corpo perto de mim. Não respondi e ele continuou me puxando, entrando cada vez mais no beco. Tentei me soltar mas não consegui. - Não vai falar comigo? - Disse aos risos.
- Eu tenho nojo de você. - Berrei e me soltei de suas mãos por poucos segundos.
- Olha aqui garota! - Segurou-me a força e me empurrou na parede. - Não fala assim comigo. - Aproximou seu rosto, virei-me e ele colou os lábios no meu pescoço. Afastei-me, o que fez com que ele, irritado, me jogasse entre as caixas e latões de lixo que haviam ali. Não consegui me levantar a tempo e ele jogou o peso do seu corpo por cima do meu. Tentei gritar e ele beijou-me a força, quase vomitei novamente quando virei o rosto.
- Me deixa ir embora. - Minha voz mudava conforme eu começava a chorar.
- Acho que não. - Riu novamente. Puxou minha camisa até que se rasgasse.
- Para! - Solucei. O sujeito me ignorou e se abaixou na altura de minhas coxas. Solucei novamente, não conseguia mais falar. Senti suas mãos tentando tirar minha calça, pensei em segurar com alguma força que tinha contra ele, mas quando olhei para frente vi uma sombra se aproximando. Será que eu havia ficado louca?
As lágrimas estavam embaçando os meus olhos, mas ainda assim consegui ver dois homens grandes chegando. Ouvi o som de um tiro, vi e senti vagamente sangue e outras coisas nojentas esparramando-se sobre mim. O resto da cabeça do homem caiu sobre o meu colo e não pude conter um grito que ardeu minha garganta.
- Headshot! - Ouvi um deles comentando.
Não conseguia acreditar em tudo o que estava acontecendo. Renan e o capanga maior se aproximaram e ficaram dizendo que ninguém traía a confiança deles sem ser punido. Levantaram-me e disseram que me deixariam ir embora só porque o assassinato de alguém como eu daria muito o que falar, mas completaram: se fizesse alguma denúncia, voltariam para me matar. Engoli a seco, concordei com tudo, peguei minha bolsa no chão e saí andando.
No momento o que eu conseguia pensar era que eu estava viva, um homem tentou me estuprar, e o mesmo morreu sobre mim. Por sorte, alguma se possível, eu não estava mais perdida.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Web novela 2. Capítulo 27.


27º capítulo
‘‘Trust in me, baby. Give me time.’’Janis Joplin .

A.
Tinha o péssimo hábito de não dormir direito, então sempre levantava em horas aleatórias e dormia quando conseguia, ou dava tempo. Essa noite não foi diferente, então acordei e desisti de tentar dormir novamente. Levantei-me delicadamente para não acordar o garoto, procurei pelo meu relógio e avistei 23h. Fui para a sacada, apoiei-me meio jogada e deitei a cabeça nos braços. O som da rua era alto, pelo menos para quem prestava atenção. Carros passavam com alta velocidade e alguns com o farol apagado. Acho que tinham pessoas tentando morrer hoje. Dei de ombros e caminhei para dentro novamente, indo na direção do meu violão. Estava prestes a pegá-lo quando lembrei-me que não estava sozinha. Droga.
Caleb não tinha dado sinal de vida ainda, e será que daria? Não tinha parado para pensar ainda que eu estava com uma criança na minha casa, e que podia demorar para minha vida voltar ao normal. Quando ele fosse embora. Mas, e se ele não fosse? Comecei a imaginar que eu não saberia o que fazer se ninguém de confiança viesse buscar o garoto. Talvez eu devesse ter entregue Cody para a mulher que bateu na porta mais cedo. Apesar de ela parecer antipática, talvez fosse quem cuidava do menino. Quem seria ela? Deveria perguntar a ele amanhã. Deveria fazer compras amanhã, isso sim.
Percebi que estava andando de um lado para o outro no apartamento. Sentei-me no chão e olhei para o telefone. Era muito tarde para ligar para ela? Não me importava. Puxei-o pelo fio, que estava quase se rompendo de tanto eu fazer isso, e disquei o número que havia fixado na minha camiseta, e na minha memória.
- Alô? - Atendeu depois de muito tempo com uma voz baixa, deveria estar dormindo. Fiz uma careta manhosa ao perceber isso.
- Ju... É a...
- Angélica! Oi! - Praticamente gritou.
- Oi... Você tá bem? - Ela não respondeu, ouvi sua respiração se afastando e aproximando novamente. - Quer dizer, saiu daqui meio abalada.
- Ah, eu to legal sim. - Respondeu seca.
- Olha, você ta chateada? Porque se estiver, me desculpa.
- Angélica, eu to ocupada. - Disse, mais seca. Ouvi sua respiração ofegante, finalmente próxima ao telefone.
- O que foi? O que tá acontecendo? - Preocupei-me.
- Nada... - Parou de falar e respirou. - Vou desligar.
- Não... - Ouvi uma voz grossa dizendo algumas coisas obcenas. - Quem tá aí? - Perguntei por impulso, apesar de já ter percebido o que estava acontecendo.
- Estamos ocupados. - Um homem pegou o telefone. - Tchau. - Desligou.
- Tchau... - Suspirei incrédula. Não acredito que ela estava fodendo com alguém enquanto eu ficava aqui pensando nela. Pff. Senti ódio de mim por sentir ódio daquele cara. Quem eu achava que era para começar a ter sentimentos por essa garota agora?
Não tive tempo de refletir sobre isso pois o telefone tocou. Atendi rapidamente sem dizer nada, fitei o menino que se mexeu um pouco mas logo voltou a dormir tranquilamente.
- ...Angélica? Tá ai? - Percebi a voz de Caleb saindo baixa do telefone.
- Inútil! - Falei um pouco alto, fazendo o garoto rolar na cama mais um pouco, sem acordar. - Onde você está?
- Escuta bem, eu sou seu amigo. Sei que estou dando uma baita de uma mancada agora, mas preciso de você.
- Você não vai deixar ele aqui. Não sou sua babá. - Irritei-me.
- Se um homem baixo chamado Dalmo, ou uma mulher gorda e mais velha chamada Vanda aparecer, não deixe que levem meu filho.
- Quem é essa mulher? Ela é horrível.
- Cadê o Cody? - Desesperou-se.
- Do meu lado, dormindo. - Revirei os olhos.
- Ah. - Suspirou aliviado. - Não confie nela.
- Quem...
- Ele está com um dente mole, tem alergia a picada de abelha e coisas com muito tempero.
- Quantos anos ele tem afinal?
- Nove.
- Quase... - Disse retóricamente. Estava calma com essa conversa, pois pelo menos ele estava me explicando alguma coisa. - E aí, quando volta?
- Preciso de mais tempo. Você tem que confiar em mim.
- Tá mais fácil confiar no Darth Vader.
- Angélica, você é a melhor amiga do mundo. Desculpa, e obrigado por...
- Ah não! Você não vai desli...
- Diz que eu o amo. - Desligou. Soquei o ar de raiva. De novo não!