quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Web novela 2. Capítulo 33.

33º capítulo
‘‘I hold your hand, close my eyes ’’ – Sonata Arctica .

A.
Tentei não parecer envergonhada, mas tinha certeza de que não consegui. Fiquei gaguejando até conseguir pronunciar algo.
- Fo-Fotos? Que fotos? - Minha risada forçada fazia com que eu
parecesse mais patética.
- Ah, aquelas com a moça bonita, que ficavam ali. - Apontou. Tentei rir de novo, mas acabou parecendo um cachorro engasgado.
- Aquelas fotos... Ah, entendi... Quais fotos. - Estalei os dedos. - Pois é! Ficaram... Velhas, né. - Velhas? VELHAS? Não poderia ter dito qualquer outra coisa? Tipo, QUALQUER outra coisa. Mas claro,
quando fotos ficam velhas, você as joga fora. Faz todo o sentido.
- Hum. - Arqueou uma sobrancelha. Lembrei-me do que ela disse e de que não havia entendido o apelido.
- Mas... Dona Flor? - Percebi que Julieta ficou sem jeito.
- Ah... Deixa pra lá. Não sei porque disso isso. Ha... Ha. - Foi até o balcão e apoiou-se, ficando um pouco
curvada, por ser bem mais alta que o apoio.
- Sabe sim. Me conta. - Dei a volta e apoiei também, ficando de frente para ela. Senti nossas mãos se tocando, e simultaneamente segurando uma na outra.
- É só que... Dona Flor e seus dois maridos, sabe? - Corou - E, parece que você tem uma mulher e um homem, ou algo assim, sei lá. Aquele cara, e a moça das fotos, entendeu? Foi só uma brincadeira. Não quis me meter, não tenho nada a ver. Sou só a palavra pra você, sabe? - Arqueei a sobrancelha e nem tive tempo de perguntar. - Amiga! Quero dizer, amiga. - Atropelou as palavras e fiquei tentando entender o que ela disse. - Acho que eu devia ir embora agora.
- Por que? - Sorri.
- Desculpa se parece que me meti na sua vida. - Soltou as mãos das minhas, passou-as sobre o rosto e saiu de perto do balcão. Dei a volta novamente e parei perto dela.
- Ainda bem que você se meteu na minha vida. - Aproximei os lábios e beijei sua bochecha. - Agora para de querer ir embora, e aproveita o dia comigo, tá?
- Ér... Aham. - Demorou alguns segundos para abrir os olhos, e mais ainda para olhar nos meus novamente. - Mas e o Cody? E seu trabalho?
- Não preciso trabalhar hoje. Tem bastante gente lá no estúdio. E o Cody está com o Joe, vai ficar bem. - Olhou-me, séria.
- Sabe, eu não tenho nada a ver com isso, e também não entendo nada de crianças... Mas eu sei que o que ele está comendo esses dias não é nem um pouco saudável. Sem contar o que ele não está comendo. - Comecei a me sentir mal por isso. Sabia que ela tinha razão, mas me irritava o fato de que eu não tenho essa obrigação.
- Não sei como cuidar de uma criança. E não pretendia que isso acontecesse.
- Tudo bem, você não tem culpa. Mas ele também não, certo? - Percebi que ela estava tentando entender direito a história.
- É... Não tem. - Olhei para baixo. Como se fosse um criança levando bronca da mãe.
- Então vamos fazer isso direito. - Sorriu. - Eu ajudo você com as alimentações, tá bem? Na verdade, acho que é na única coisa que posso te ajudar. - Olhou para o nada. - Ah! - Gritou e olhou para mim novamente. - A não ser que queira ajuda para vesti-lo também.
- É, lógico! - Fiquei animada com o fato de ela querer me ajudar. - Toda criança precisa de roupas.
- Então, pronto! Viu, não é tão difícil. Mas você provavelmente precisará de uma babá pra ficar com ele enquanto você trabalha, sabe? Se quiser eu pago. - Sorriu.
- Já te disse que odeio quando me oferece dinheiro? - Revirei os olhos.
- Desculpa. Só ofereci... Se precisar. - Deu de ombros.
- Tá tudo bem, eu consigo pagar. - Sorri. Pensei por um tempo. - Isso pode ser divertido.
- É... Isso me lembra da época em que eu brincava de bonecas. -
- Nunca brinquei de bonecas... - Dei de ombros e ela riu.

Web novela 2. Capítulo 32.




















32º capítulo
''Algo diferente.''

J.
Cody era tão fofo que quase me dava vontade de ter filhos. Tudo bem, nem tanto. Mas ele era bem agradável. Quando percebi que só estávamos nós duas no corredor, senti-me constrangida. Não sabia o que fazer ou dizer. A única coisa que vinha em minha mente era explicar o motivo de um gameboy ter saído da minha bolsa.
- É que eu vi em uma loja, e aí deu vontade, sabe? - Sorri meio forçado. Estava absolutamente deslocada do mundo naquele momento.
- Tá bom. A gente compra outro pra você depois. - Sorriu.
- Não! - Praticamente berrei. - Quer dizer, só estava explicando, sabe? - Enrolei a ponta do meu cabelo com os dedos, e senti gotas de água caindo no chão.
- Acho que tenho um secador de cabelos em alguma caixa. - Observou. Olhou ao redor.
- Não precisa, eu já tava indo... De verdade. - Tentei parecer alguém que realmente queria ir embora, mas continuei parada. Ela riu baixo e aproximou-se.
- Você está bem? - Tocou meu braço direito e senti arder.
- Ai! - Puxei involuntariamente para olhar. - O que é? - Estiquei o pescoço e virei o braço, vendo grande parte dele ralado e vermelho. Estava horrível.
- Está ralado, mas não é nada demais. Quer que eu passe alguma coisa pra você? Tenho alguma coisa para fazer curativo aqui... - Coçou o pescoço e olhou para suas várias caixas. - Ou talvez uma farmácia seria mais fácil, mas eu vou com você.
- Não... Tá tudo bem, de verdade. Relaxa. - Estava absolutamente certa de que iria á algum lugar para tirar isso do meu braço mais tarde. Um dermatologista saberia como cicatrizar mais rápido, certo? Percebi que estávamos em silêncio por algum tempo. - Você disse que queria conversar.
- Ah, é! Isso. Então... - Mordeu os lábios. - Não sei o que dizer, é só que...
- Quer saber o que aconteceu ontem. - Pressionei meus lábios um contra o outro.
- Sou toda a ouvidos. Se quiser falar, claro. - Mordeu a ponta da unha. Suas unhas eram todas quebrada, era engraçadinho. - É que eu não sei o que fazer ou falar, porque não sei o que houve, entende? - Olhei para o chão e comecei a lembrar do que houve. - Desculpa! Não devia ter falado nada. Só fiquei meio... Preocupada. - Senti minhas pálpebras ficando úmidas. Ainda não conseguia olhar pra cima. Outra gota caiu no chão, mas dessa vez era uma lágrima. - Eu realmente posso procurar o secador. - Acabei rindo e olhei para ela. - Ah não, o que eu falei? Não chora. - Estava mais perto e secou minhas lágrimas com seus dedos branquinhos.
- Você não fez nada. - Encarei seus olhos, quase não piscava. - Nada de errado.
- Isso tem a ver com ontem? Ou com... A gente? - Acabei rindo. Acho que de nervosismo.
- Então existe um ''a gente''? - Angélica desviou o olhar e seu rosto emrubreceu imediatamente.
- Ah, é que, sabe...!? Tem algo... Diferente! Entende?
- Algo diferente? - Sorri.
- É! - Franziu a testa - Não sou boa em explicar coisas.
- Tudo bem... Meus problemas não tem nada a ver com você. Não é sua culpa eu estar assim. - Voltei a ficar séria.
- Isso é um alívio. Mas ainda não queria que ficasse assim por nenhum motivo. - Pegou minha mão. - Não quer falar, não tem problema. Mas tenta esquecer isso, então. Tá bom?
- Tá... - Impossível. Ela sorriu. Pensei em outro assunto, e lembrei de ter visto a parede vazia. - Então, a Dona Flor tirou as fotos da parede? - Ri baixo.